DNA de estupro ligado ao caso Madeleine McCann foi destruído por promotores

Material coletado antes do sequestro de Madeleine poderia ajudar a polícia a elucidar dois casos distintos, mas foi descartado

atualizado 20/06/2020 11:46

Christian e Madeleine MccanReprodução

A irlandesa Hazel Behan estava trabalhando em seu apartamento em 2004, na Praia da Rocha, Portugal, a 30 minutos de carro de onde Madeleine McCann foi sequestrada três anos depois, quando um homem invadiu sua casa e a agrediu violentamente. A polícia nunca descobriu a identidade do agressor.

Behan resolveu expor sua história, 16 anos após o ocorrido, por desconfiar que o estuprador possa ser Christian Brückner, homem apontado como novo suspeito pelo desaparecimento de Madeleine.

Algumas evidências de DNA coletadas na época, poderiam ajudar a elucidar o caso. Porém, a polícia alemã informou que o material encontrado na cena do crime foi arquivado e destruído dois meses antes do desaparecimento de Madeleine. Assim, as chances de fazer uma ligação sólida entre os dois casos se tornaram nulas.

O obstáculo para a investigação surgiu em documentos judiciais.  Eles apontam que os promotores portugueses descartaram o material porque o crime ocorreu durante a Eurocopa, quando havia um número considerável de pessoas na região. O caso foi considerado único e as evidências, dispensáveis.

Christian, de 43 anos, é investigado pelo desaparecimento e abuso sexual de outras crianças e acabou sendo condenado a oito anos de prisão pelo estupro de uma turista americana de 72 anos, em Portugal, em 2005.

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Relato

Hazel disse em entrevista ao The Guardian que  ela trabalhava em um resort na cidade costeira quando foi atacada em seu apartamento por cerca de cinco horas.

“Eu tinha ido para a cama por volta de 1h da manhã e fui acordada por alguém chamando meu nome. Virei de costas e, de pé, havia um homem mascarado vestido com meia-calça e o que parecia um collan, e um facão com cerca de 12 centímetros de comprimento na mão”, contou Hazel.

De acordo com a irlandesa, o homem falava inglês com sotaque alemão, usava uma máscara que cobria toda a cabeça, tinha sobrancelhas loiras e penetrantes e olhos azuis.

Ela também lembrou uma marca distintiva na parte superior da coxa direita: “uma marca de nascença ou uma tatuagem”. Nas descrições de Brückner na mídia alemã, ele teria marcas de nascença na parte superior da coxa direita.

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