Discurso de Keiko Fujimori é interrompido por protesto durante a posse
Manifestantes interromperam discurso de posse de Keiko gritando “justiça às vítimas”, em referência à ditadura do pai dela, Alberto Fujimori

Ao assumir a presidência do Peru, nesta terça-feira (28/7), Keiko Fujimori fez seu primeiro discurso durante sessão solene no Congresso peruano. Antes da fala, porém, integrantes da oposição deixaram o plenário, incluindo políticos do partido de Roberto Sánchez, candidato derrotado nas eleições presidenciais deste ano.
O discurso de posse foi interrompido, ainda, logo no início por manifestantes que gritavam “justiça às vítimas” da ditadura do pai de Keiko, Alberto Fujimori, que governou o Peru por uma década, após aplicar um autogolpe de Estado. Ele chegou a ser preso, após ser considerado responsável por massacres de opositores.
Após os manifestantes serem retirados, a principal mensagem da nova presidente peruana foi com relação à segurança pública, uma das principais bandeiras da campanha eleitoral.
“Assumo o cargo com a firmeza necessária para governar, mas também com a sensibilidade exigida para ouvir e curar as feridas do nosso povo”, disse. “Devemos ter a coragem de enfrentar nossa realidade de frente, sem anestesia, sem maquiagem e sem meias verdades. […] Vamos recuperar cada bairro, cada estrada, cada espaço público para as famílias peruanas”, continuou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAos 51 anos, Kieko Fujimori é a primeira mulher eleita chefe de Estado do Peru. Ela chegou a se candidatar outras vezes, mas saiu derrotada em três tentativas.
Diversos líderes líderes compareceram à cerimônia de posse, como os presidentes da Argentina, Javier Milei; do Equador, Daniel Noboa; do Paraguai, Santiago Peña; do Uruguai, Yamandú Orsi; do Chile, José Antonio Kast; da Bolívia, Rodrigo Paz; o rei da Espanha, Felipe VI, entre outras autoridades.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) não foi, mas o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o governo do Brasil.
Uso da força militar
Keiko também fez questão de anunciar que vai usar da força militar em locais em estado de emergência.
“Vamos usar todas as ferramentas que a Constituição põe à disposição do governo. Durante os estados de emergência, as Forças Armadas assumirão temporariamente a liderança das operações de segurança e controle interno, em estreita coordenação com a Polícia Nacional”, anunciou.
Keiko marca o retorno da direita ao poder no país, após quatro anos de governo do esquerdista Pedro Castilho, eleito em 2021. As eleições presidenciais ficaram marcadas pela pequena diferença de votos entre os dois principais concorrentes. Ela obteve 50,135% do total de votos válidos, contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez.



