“Paz e erradicação da fome são indissociáveis”, diz ganhadora de Nobel

Programa Mundial de Alimentos (WFP) realiza ações para reduzir a fome em mais de 80 países

atualizado 09/10/2020 9:14

“Paz e erradicação da fome são indissociáveis”. Foi essa a reação, no Twitter, do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), agência das Nações Unidas (ONU) agraciada com o Prêmio Nobel da Paz 2020.

A entidade lembrou que o prêmio é um “poderoso lembrete para o mundo de que a paz e a erradicação da fome são indissociáveis”. O diretor-executivo do PMA, David Beasley, afirmou que o programa está “profundamente honrado” com o reconhecimento.

“Estamos muito honrados de receber o Prêmio Nobel da Paz. É um formidável reconhecimento do compromisso da família WFP, que trabalha todos os dias para erradicar a fome em mais de 80 países”, declarou Beasley em sua conta no Twitter.

Em um vídeo publicado on-line, disse estar “sem palavras pela primeira vez na minha vida”.

Receber o Prêmio Nobel da Paz é um “momento de orgulho”, reagiu o porta-voz do WFP, Tomson Phiri, alguns segundos após o anúncio do Comitê Nobel da Noruega.

“Uma das belezas das atividades do WFP é que não fornecemos alimentos apenas para hoje e amanhã, mas também damos às pessoas os conhecimentos necessários para se sustentarem nos dias que se seguem”, disse Phiri em uma entrevista coletiva em Genebra, logo após saber, ao vivo, que sua organização havia sido premiada.

“Este Prêmio Nobel da Paz é um reconhecimento aos esforços feitos” pela organização “em todo mundo”, acrescentou o porta-voz. Ele destacou que, embora a pandemia da covid-19 tenha paralisado o setor aéreo, dificultando o deslocamento, o WFP conseguiu continuar a fazer seu trabalho.

“A questão da desnutrição aguda severa não é apenas uma questão de falta de nutrição. E, em países em conflito, (…) você também precisa de paz, de estabilidade. Todo o restante se torna menos intimidador quando você tem paz”, disse ele, citando Sudão do Sul, Síria, Iêmen e Afeganistão.

“Estamos presentes em áreas de conflito, estamos presentes em áreas que não estão em conflito, também estamos em países em desenvolvimento. Ajudamos muitos governos a desenvolver políticas nacionais, trabalhamos em inúmeros setores para ajudar os países que podem estar em necessidade”, detalhou.

O porta-voz também explicou que o WFP é 100% financiado por contribuições voluntárias, observando que, em 2020, os doadores repassaram cerca de US$ 8 bilhões, um valor recorde. Phiri apontou, porém, que “este orçamento foi estabelecido antes que a pandemia chegasse, e continuamos a pedir aos doadores que continuem a nos ajudar”.

Nos últimos anos, a situação alimentar no mundo vem se agravando, com 135 milhões de pessoas passando fome, aumento causado majoritariamente por guerras e conflitos armados. A agência enfrenta dificuldades para receber os recursos necessários para expandir seu trabalho.

No Brasil a situação também é grave: a fome aumentou 43,7% em 5 anos, e o país teve a primeira piora em segurança alimentar desde 2004, quando o levantamento começou a ser feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014, mas agora está caminhando a passos largos para voltar”, disse em entrevista ao Estadão, em maio, o economista Daniel Balaban, chefe do escritório brasileiro do Programa Mundial de Alimentos.

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