Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

“Dia sem compras”: imigrantes planejam protesto contra Trump

Imigrantes articulam mobilizações para os dias 1º, 2 e 3 de fevereiro em reação à posição do presidente republicano Donald Trump

01/02/2025 02:00, atualizado 01/02/2025 11:50
Compartilhar notícia
Reprodução
Imagem colorida de cartaz dizendo "um dia sem imigrantes" - Metrópoles

A ameaça do presidente Donald Trump de expulsar imigrantes que vivem ilegalmente nos Estados Unidos levantou também uma questão antiga: o que seria da América do Norte sem a imigração? E é com este foco que os estrangeiros de nacionalidades diversas tentam se mobilizar para mostrar o quanto a economia do país pode ser afetada sem eles.

Além da grande quantidade de notícias falsas divulgadas nos últimos dias, os grupos de WhatsApp e redes sociais dos imigrantes também foram tomadas por várias tentativas de convocação para que eles façam uma espécie de paralisação nos próximos dias. Banners em português e espanhol chamam os estrangeiros a não consumirem nada e até a não trabalharem.

Um dos banners distribuídos, em português, pede para que a comunidade não vá a restaurantes, não abasteça veículos e não compareça ao trabalho no próximo final de semana (dias 1 e 2 de fevereiro). “(…) Esse governo gira a economia em cima dos nossos esforços, abrem (sic) os olhos e enxerguem o poder que nós temos”, diz o card que convoca para a mobilização.

Um outro banner, em espanhol, convoca, para segunda-feira (3/2), a manifestação “um dia sem imigrantes”. A peça pede um dia sem escolas, sem trabalho e sem compras.

As convocações para protestos também chegam por áudios. Um deles chama os imigrantes para comprarem só o necessário, somente alimento. “Não precisa parar de trabalhar. Todo mundo só compra o necessário, só de comer. Não compra em Burlington (tradicional rede de lojas de departamento norte-americana), não compra em Amazon, não vai a bar durante um mês. Isso não vai fazer falta pra ninguém. Vamos comprar só o necessário”, diz o áudio que circula nos grupos de WhatsApp.

Um valadarense, de 56 anos, que mora há 24 anos no estado de Massachusetts e preferiu não se identificar por ser indocumentado, disse que é louvável a ideia, mas não acredita que a iniciativa irá funcionar. Segundo ele, muitos brasileiros com permissão para estar nos Estados Unidos concordam com as políticas anti-imigração de Trump e dizem que não vão “parar de comprar para defender bandido”.

“Dia sem compras”: imigrantes planejam protesto contra Trump - destaque galeria
6 imagens
Trump aposta no tarifaço contra o Brasil
Donald Trump, presidente dos EUA
Temendo deportação por Trump, brasileiros buscam cidadania europeia
Trump voltou à Casa Branca após 4 anos
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Trump é o 47º presidente dos EUA
1 de 6

Trump é o 47º presidente dos EUA

Tasos Katopodis/Getty Images
Trump aposta no tarifaço contra o Brasil
2 de 6

Trump aposta no tarifaço contra o Brasil

Julia Demaree Nikhinson - Pool/Getty Images
Donald Trump, presidente dos EUA
3 de 6

Donald Trump, presidente dos EUA

Arte Metrópoles
Temendo deportação por Trump, brasileiros buscam cidadania europeia
4 de 6

Temendo deportação por Trump, brasileiros buscam cidadania europeia

Chip Somodevilla/Getty Images
Trump voltou à Casa Branca após 4 anos
5 de 6

Trump voltou à Casa Branca após 4 anos

Ron Sachs-Pool/Getty Images
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
6 de 6

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Jabin Botsford /The Washington Post via Getty Images

“Ele não tem projeto para a economia”

Atingir a economia do país que cresceu às custas da mão de obra imigrante pode ser uma opção, principalmente quando não há um projeto para a economia do país. É o que pensa o brasileiro, que trabalha em casa, na própria companhia de fabricação de móveis para festas. Para ele, Donald Trump está levantando uma bandeira contra os estrangeiros para desviar o foco da falta de projetos.

“Ele está cortando gastos do governo, mas isso não vai baixar o preço dos alimentos, da gasolina. Na economia, até agora ele não mexeu. Está fazendo barulho porque não sabe o que fazer. Quando acabar o capital político dele, quero ver. Cada dia, lança uma coisa para alimentar os seus seguidores. Agora, é mandar os imigrantes para Guantánamo (Campo de Detenção na Baía de Guantánamo, em Cuba)”, lamenta.