Dezenas de milhares de manifestantes desafiam governo da Bielo-Rússia

Protestos em Minsk ocorrem há duas semanas contra a reeleição de Alexander Lukashenko, considerada fraudada

atualizado 23/08/2020 17:02

Dezenas de milhares de manifestantes bielo-russos protestaram neste domingo (23/8), em Minsk, contra a reeleição do presidente Alexander Lukashenko, confrontado há duas semanas por um movimento de protestos histórico que mantém a pressão sobre seu governo.

No poder há 26 anos, Lukashenko prometeu que iria “resolver o problema” das manifestações que, segundo ele, são instigadas pelo exterior, e colocou o exército em alerta, acusando a OTAN de fazer manobras em suas fronteiras. A imprensa e contas no Telegram vinculadas à oposição calcularam mais de 100 mil manifestantes na capital bielo-russa.

Milhares de pessoas se reuniram no centro da capital com bandeiras brancas e vermelhas, as cores da oposição. “Se ele realmente ganhou as eleições (com 80% dos votos), por que tanta gente está indo para as ruas protestar contra ele?”, pergunta Ievgeni, um jovem de 18 anos.

“Lukashenko quer que todos se dispersem e vivam como antes (da eleição). Mas nada voltará a ser igual”, insiste Nikita, manifestante de 28 anos. Outros gritavam “Liberdade” e “Lukashenko para o carro da polícia”. Nos arredores, foram implantadas inúmeras forças antidistúrbios, com canhões de água e veículos de segurança.

Pouco antes do início do protesto, o Ministério do Interior alertou contra as manifestações “ilegítimas” e pediu aos cidadãos que agissem com “sensatez”. O Ministério da Defesa alertou que, em caso de incidentes perto dos memoriais da Segunda Guerra Mundial, onde ocorreram os protestos nessas últimas duas semanas, os responsáveis terão que lidar “não com a polícia, mas com o exército”.

A oposição esperava repetir o ocorrido em 16 de agosto, quando organizou nas ruas de Minsk a maior manifestação da história recente do país, com 100 mil participantes, para denunciar — segundo eles — a reeleição fraudulenta de Lukashenko. A eleição do líder autoritário não foi reconhecida pela União Europeia.

A líder da oposição bielo-russa, Svetlana Tikhanóvskaya, que afirma ter ganhado a eleição, disse: “Me sinto muito orgulhosa porque depois de 26 anos de medo (os bielo-russos] estão dispostos a defender seus direitos. Peço que continuem, que não parem, porque é realmente importante continuarmos unidos na luta por nossos direitos”, acrescentou a ex-professora de inglês de 37 anos que se refugiou na Lituânia.

Até agora, o presidente se manteve firme em sua posição. Embora tenha o apoio do exército, da polícia e dos serviços secretos, alguns de seus aliados na imprensa estatal e em empresas públicas o abandonaram.

As autoridades do país abriram uma investigação contra o “conselho de coordenação” formado pela oposição para permitir uma transição democrática após as eleições. A acusação é de que o órgão criado nesta semana fere “a segurança nacional”.

O Exército do país realizou manobras em suas fronteiras com a Polônia e Lituânia, onde Lukashenko visitou tropas no sábado. Apesar de ter sido acusada, a OTAN afirma não ter realizado exercícios na região.

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