Cuba reafirma disposição para diálogo com EUA, mas rejeita pressão
Chanceler Bruno Rodríguez reafirma diálogo com governo norte-americano, mas denuncia escalada de hostilidade de Washington com Cuba
atualizado
Compartilhar notícia

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, reafirmou, nesta segunda-feira (9/2), que o governo cubano mantém disposição para um entendimento diplomático com os Estados Unidos, mas não aceitará ceder a pressões externas.
Em mensagem publicada nas redes sociais, o chanceler denunciou uma intensificação recente das medidas coercitivas impostas por Washington, classificando a postura norte-americana como “implacável”.
O chanceler acrescentou que Havana mantém disposição para o diálogo “de forma clara, direta e pública”, mas sem renunciar a sua soberania.
Rodríguez também destacou o apoio internacional recebido por Cuba diante do endurecimento das sanções. “Não estamos sozinhos e não ficaremos de braços cruzados”, disse.
Segundo Rodríguez, a escalada de hostilidade tem se concentrado, nas últimas semanas, em tentativas de bloquear completamente o fornecimento de combustível para a ilha.
Para o ministro, o objetivo dessas ações segue sendo o mesmo de décadas anteriores: enfraquecer politicamente o país por meio do sofrimento da população.
“A agressão dos EUA contra Cuba não é nova. Ela vem se intensificando progressivamente nos últimos anos e, de forma implacável, nas últimas semanas”, afirmou. “O objetivo, como sempre, é quebrar a vontade política do povo cubano.”
“Objetivo impossível”, diz chanceler
Apesar de reconhecer a gravidade do cenário econômico e os sacrifícios exigidos da população, Rodríguez afirmou que a estratégia de pressão externa está fadada ao fracasso.
Segundo ele, setores experientes da política norte-americana, tanto em Washington quanto em Miami, entendem que a tentativa de subjugar Cuba não é viável.
Novas medidas de Washington
As declarações ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma nova ordem executiva que autoriza a imposição de tarifas a países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba.
O decreto, intitulado “Enfrentando as ameaças do governo de Cuba aos Estados Unidos”, cita as relações de Havana com países como Rússia e China e classifica a ilha como uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional americana.
Ao comentar a medida, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a iniciativa representa uma tentativa de fragilizar a economia do país.
“Sob um pretexto mentiroso e infundado, o presidente Trump pretende sufocar a economia cubana impondo tarifas aos países que negociam petróleo de forma soberana com Cuba”, declarou.
Segundo relatório apresentado por Bruno Rodríguez à Assembleia Geral da ONU em setembro de 2025, o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos causou prejuízos superiores a US$ 170,6 bilhões a Cuba ao longo de mais de seis décadas.








