Cristina Kirchner prevê derrota de Trump nas eleições de meio de mandato
Ex-presidente argentina afirmou que republicanos devem perder força no Congresso e admitiu vontade de disputar eleição contra Milei em 2027

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner aposta em uma derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para esta terça-feira (3/11).
Em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, publicada nesta segunda-feira (2/11), a peronista afirmou que o resultado poderá representar uma mudança no cenário político internacional e abrir espaço para uma nova onda progressista.
“Paradoxalmente, o homem que fez de tudo para ajudar governos de direita a vencerem na América Latina perderá as eleições em seu próprio país”, declarou.
A ex-presidente fez referência à atuação de Trump em favor de lideranças conservadoras na América Latina. Na avaliação dela, o desgaste dos governos de direita poderá favorecer o retorno de forças progressistas ao poder, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.
As eleições de meio de mandato renovam parte do Congresso norte-americano e são consideradas um importante teste de popularidade para o presidente.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEmbora Trump não esteja na disputa, os eleitores escolherão os representantes da Câmara e parte dos integrantes do Senado, em uma votação que poderá alterar a correlação de forças no Legislativo e dificultar a implementação da agenda do governo republicano.
As pesquisas indicam um cenário desfavorável para Trump. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro apontou que apenas 32% dos norte-americanos aprovavam o desempenho do presidente.
Kirchner admite disputar Presidência contra Milei
Na entrevista, a ex-presidente também abriu a possibilidade de voltar a disputar a Presidência da Argentina em 2027, quando o atual mandatário, Javier Milei, deverá tentar a reeleição.
Aos 73 anos, Kirchner condicionou uma eventual candidatura à recuperação de seus direitos políticos, atualmente suspensos em razão de uma condenação por corrupção. Questionada sobre a possibilidade de concorrer novamente à Casa Rosada, respondeu: “Quando eu recuperar meus direitos políticos, por que não?”.
A dirigente está em prisão domiciliar em seu apartamento, em Buenos Aires, onde cumpre pena de seis anos de prisão. Ela também foi condenada à inabilitação perpétua para ocupar cargos públicos no processo que investigou irregularidades em contratos de obras públicas na província de Santa Cruz, durante seus governos.
Kirchner nega ter cometido crimes e afirma que o processo teve motivação política.
“Digam-me onde coloquei o dinheiro. Porque, sinceramente, se eu o tivesse roubado, não estaria na prisão. Estaria livre, porque teria conseguido comprar o sistema judiciário argentino, já que eles são corruptos”, afirmou.
A ex-presidente e seu advogado, Rafael Valim, recorreram ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para pedir uma revisão do caso.
Rotina em prisão domiciliar
A entrevista ao Washington Post foi a primeira concedida por Kirchner a um veículo internacional desde sua condenação, no ano passado.
Kirchner afirmou que procura acompanhar os acontecimentos políticos internacionais pela televisão e manter a mente ativa.
Kirchner relembrou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu aliado político de longa data e que já ficou preso em decorrência das condenações na Operação Lava Jato, anuladas depois.
Segundo Kirchner, o presidente brasileiro a aconselhou a fazer exercícios e evitar a depressão. Ela afirmou, porém, que não se permite desanimar diante da situação.
“Sei por que estou aqui: por causa do que represento, do governo que construímos e da minha recusa em me submeter aos poderes estabelecidos”, declarou.






