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Mundo

Cristina Kirchner prevê derrota de Trump nas eleições de meio de mandato

Ex-presidente argentina afirmou que republicanos devem perder força no Congresso e admitiu vontade de disputar eleição contra Milei em 2027

02/11/2026 17:08
Catriel Gallucci Bordoni/NurPhoto via Getty Images
Ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner  aposta em uma derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para esta terça-feira (3/11).

Em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, publicada nesta segunda-feira (2/11), a peronista afirmou que o resultado poderá representar uma mudança no cenário político internacional e abrir espaço para uma nova onda progressista.

“Paradoxalmente, o homem que fez de tudo para ajudar governos de direita a vencerem na América Latina perderá as eleições em seu próprio país”, declarou.

A ex-presidente fez referência à atuação de Trump em favor de lideranças conservadoras na América Latina. Na avaliação dela, o desgaste dos governos de direita poderá favorecer o retorno de forças progressistas ao poder, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.

As eleições de meio de mandato renovam parte do Congresso norte-americano e são consideradas um importante teste de popularidade para o presidente.

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Embora Trump não esteja na disputa, os eleitores escolherão os representantes da Câmara e parte dos integrantes do Senado, em uma votação que poderá alterar a correlação de forças no Legislativo e dificultar a implementação da agenda do governo republicano.

As pesquisas indicam um cenário desfavorável para Trump. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro apontou que apenas 32% dos norte-americanos aprovavam o desempenho do presidente.

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Joyce N. Boghosian/Casa Branca

Kirchner admite disputar Presidência contra Milei

Na entrevista, a ex-presidente também abriu a possibilidade de voltar a disputar a Presidência da Argentina em 2027, quando o atual mandatário, Javier Milei, deverá tentar a reeleição.

Aos 73 anos, Kirchner condicionou uma eventual candidatura à recuperação de seus direitos políticos, atualmente suspensos em razão de uma condenação por corrupção. Questionada sobre a possibilidade de concorrer novamente à Casa Rosada, respondeu: “Quando eu recuperar meus direitos políticos, por que não?”.

A dirigente está em prisão domiciliar em seu apartamento, em Buenos Aires, onde cumpre pena de seis anos de prisão. Ela também foi condenada à inabilitação perpétua para ocupar cargos públicos no processo que investigou irregularidades em contratos de obras públicas na província de Santa Cruz, durante seus governos.

Kirchner nega ter cometido crimes e afirma que o processo teve motivação política.

“Digam-me onde coloquei o dinheiro. Porque, sinceramente, se eu o tivesse roubado, não estaria na prisão. Estaria livre, porque teria conseguido comprar o sistema judiciário argentino, já que eles são corruptos”, afirmou.

A ex-presidente e seu advogado, Rafael Valim, recorreram ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para pedir uma revisão do caso.

Rotina em prisão domiciliar

A entrevista ao Washington Post foi a primeira concedida por Kirchner a um veículo internacional desde sua condenação, no ano passado.

Kirchner afirmou que procura acompanhar os acontecimentos políticos internacionais pela televisão e manter a mente ativa.

Kirchner relembrou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu aliado político de longa data e que já ficou preso em decorrência das condenações na Operação Lava Jato, anuladas depois.

Segundo Kirchner, o presidente brasileiro a aconselhou a fazer exercícios e evitar a depressão. Ela afirmou, porém, que não se permite desanimar diante da situação.

“Sei por que estou aqui: por causa do que represento, do governo que construímos e da minha recusa em me submeter aos poderes estabelecidos”, declarou.