As cortinas de fumaça de Trump para fugir do caso Epstein
Trump é acusado de usar ações polêmicas e declarações para desviar a atenção de revelações sobre sua suposta relação com Jeffrey Epstein
atualizado
Compartilhar notícia

Para escapar do desgaste político provocado pelo caso Jeffrey Epstein, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido acusado por opositores e até aliados de lançar sucessivas “cortinas de fumaça”, estratégias para desviar a atenção pública e minimizar o impacto das revelações que voltaram a associar seu nome ao escândalo.
Por que Trump está em “maus lençóis” com caso Epstein
- Nos anos 1990, Trump era próximo a Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de menores. Ele diz ter encerrado a ligação nos anos 2000, mas opositores usam isso para questionar sua integridade.
- Epstein foi preso em 2019 por tráfico sexual e morreu na prisão, oficialmente por suicídio, mas sua morte é vista como suspeita por muitos, principalmente por apoiadores radicais de Trump, que sempre alimentaram teorias conspiratórias.
- Entre os trumpistas, circula a teoria de uma “lista de clientes” com nomes de políticos e celebridades envolvidos em crimes sexuais, que os opositores de Trump estariam, supostamente, ocultando.
- Na campanha eleitoral, Trump prometeu divulgar documentos e depoimentos do caso Epstein, criando expectativa por uma “limpeza” política contra adversários democratas.
- No entanto, o governo Trump publicou em julho um memorando confirmando que, de fato, Epstein cometeu suicídio e que não há provas de chantagem ou de uma lista de clientes, contrariando teorias conspiratórias contra os democratas.
- Porém, ele ainda não apresentou essas provas, irritando aliados e levantando dúvidas sobre seu real interesse, provocando divisão interna.
- O Wall Street Journal revelou uma carta de Trump a Epstein com o desenho de uma mulher nua. Elon Musk também já afirmou que Trump aparece nos arquivos de Epstein, reacendendo a polêmica.
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA, aos quais a imprensa teve acesso, confirmaram que o nome do republicano aparece nos arquivos relacionados ao financista condenado por crimes sexuais, contrariando declarações anteriores do próprio presidente. Ele nega qualquer envolvimento.
Desde o início de julho, Trump tem intensificado ações e declarações polêmicas que, segundo críticos, buscam desviar o foco da cobertura jornalística sobre o escândalo.
As estratégias incluem a divulgação de arquivos históricos sobre a morte de uma grande personalidade, a promoção de conteúdos caluniosos nas redes sociais, ataque público a aliados e opositores, além da demissão de uma promotora federal que atuava em casos ligados a Epstein.
Arquivos de Martin Luther King e vídeo de Obama
Na segunda-feira (21/7), a Casa Branca, por ordem de Trump, liberou mais de 240 mil páginas de investigações do FBI sobre o líder de direitos civis Martin Luther King, morto em 1968. Os documentos foram divulgados mesmo com a oposição da família do ativista.
O sigilo, que durava 48 anos, foi quebrado repentinamente. Em declaração, os dois filhos vivos, King Jr, Martin III e Bernice, condenaram “qualquer tentativa de uso indevido desses documentos com a intenção de minar o legado de nosso pai”.
Parlamentares democratas classificaram a medida como uma “cortina de fumaça”, considerando o momento em que crescia a atenção pública sobre os arquivos de Epstein.
No mesmo dia, Trump compartilhou em suas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial que mostra o ex-presidente Barack Obama sendo preso no salão oval da Casa Branca. Na legenda da publicação, Trump escreveu que “ninguém está acima da lei”.
Confira:
Demissão de promotora
No dia 16 de julho, o governo Trump demitiu a promotora federal Maurene Comey, que havia atuado no processo contra Jeffrey Epstein e em outras investigações de crimes sexuais envolvendo empresários norte-americanos.
A decisão não apresentou justificativa formal, apenas citando o artigo 2 da Constituição dos EUA, que trata dos poderes presidenciais para nomear e demitir procuradores.
Segundo o The New York Times, Maurene enviou mensagem a colegas após o desligamento, afirmando: “Se uma promotora de carreira pode ser demitida sem motivo, o medo pode tomar conta das decisões dos que ficam. E o medo é a ferramenta de um tirano”.
A promotora é filha de James Comey, ex-diretor do FBI demitido por Trump em 2017, após conduzir investigações sobre a interferência russa nas eleições de 2016. O episódio reforçou acusações de interferência política para enfraquecer apurações ligadas a figuras próximas ao governo.
Trump se irrita ao falar de Epstein e desconversa
Em 8 de julho, um dia após o FBI confirmar que Epstein morreu por suicídio e concluir que não havia provas de que o financista mantinha uma “lista de clientes” para chantageá-los, Trump se irritou com um jornalista que fez uma pergunta sobre o caso.
“Ainda falam de Jeffrey Epstein? Há anos que se fala sobre esse cara. Você está perguntando por aí e temos [a enchente no] Texas, temos isso, temos todas essas coisas, e eles ainda estão falando sobre esse cara, esse asqueroso? É inacreditável” disse.
Mais recentemente, em 17 de julho, o presidente norte-americano voltou ao tema em sua rede Truth Social, classificando as investigações e debates públicos como “a farsa de Jeffrey Epstein”.
Trump criticou ainda apoiadores que, segundo ele, estavam “caindo na besteira criada pelos democratas” e declarou não querer mais o apoio dos que insistiam no assunto.
“O novo golpe deles é o que chamaremos para sempre de Farsa de Jeffrey Epstein, e meus apoiadores do passado acreditaram nessa ‘besteira’, de cabo a rabo”, escreveu. Ele afirmou também que o caso estava desviando a atenção dos sucessos de sua presidência.
Tentativa frustrada de conter o assunto
Em 18 de julho, sob pressão de aliados e do Partido Republicano, o presidente Donald Trump anunciou ter solicitado ao Departamento de Justiça dos EUA a divulgação de “todo e qualquer depoimento relevante” prestado ao grande júri que analisou o caso do empresário Jeffrey Epstein.

O pedido estaria condicionado à autorização judicial e teria como justificativas o “amplo interesse público” e a “transparência para o público americano”.
A iniciativa, contudo, foi barrada. A juíza federal da Flórida Robin Rosenberg rejeitou a solicitação, impondo o primeiro revés aos esforços da Casa Branca para conter a repercussão negativa sobre a condução do caso.
Em sua decisão, Rosenberg afirmou que não poderia autorizar a divulgação porque o próprio Departamento de Justiça havia apresentado o pedido com base apenas no “interesse público” e não como parte de um processo judicial, critério que, segundo a magistrada, é o padrão usualmente considerado pelos tribunais em situações desse tipo.
















