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A Colômbia acusou o Equador neste sábado (30/5) de “interferência” na eleição presidencial de domingo, após anunciar o fim das tarifas de 100% sobre produtos colombianos. A polarização marca a votação, e nenhum dos candidatos deve conseguir a maioria necessária para vencer no primeiro turno. Iván Cepeda, de esquerda, e Abelardo de la Espriella, de extrema direita, despontam como favoritos para avançar ao segundo turno.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou que eliminará a taxa de 100% sobre as importações da Colômbia após conversar com o opositor Abelardo de la Espriella. Noboa disse ainda que, na conversa, eles “concordaram em combater conjuntamente o tráfico de drogas na fronteira comum”, antecipando uma possível vitória do aliado.
O líder colombiano, Gustavo Petro, reagiu afirmando que o governo equatoriano tenta interferir para impulsionar a extrema direita. Após o anúncio da eliminação das tarifas, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia também expressou seu “repúdio categórico” ao que chamou de “interferência deliberada no processo eleitoral em curso” no país.
“Esta intromissão de um mandatário estrangeiro no processo democrático de outro Estado constitui uma violação flagrante do princípio de não intervenção em assuntos internos, uma ameaça à soberania nacional e um atentado ao sistema democrático”, declarou o ministério em comunicado.
A Colômbia considera que o presidente equatoriano apresenta de maneira “enganosa” a decisão sobre as tarifas. Noboa já havia antecipado, no início de maio, que reduziria o tributo de 100% para 75% a partir de 1º de junho.
A chancelaria colombiana sustenta que a eliminação tarifária responde a uma “determinação” imposta pela secretaria-geral da Comunidade Andina de Nações.
“As questões comerciais e de integração devem permanecer à margem de considerações político-eleitorais e ser geridas com estrito respeito à soberania dos Estados”, acrescentou.
A disputa entre os dois países surgiu em fevereiro, quando Noboa acusou a Colômbia de não fazer o suficiente para combater o crime organizado na fronteira comum e impôs as tarifas. Desde então, ambas as nações aplicam tributos de até 100%.
Pesquisas apontam para segundo turno
Duas visões sobre como encerrar o conflito armado de meio século na Colômbia se enfrentam nessas eleições presidenciais. Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella despontam como favoritos na votação deste domingo, 31 de maio, e devem disputar um segundo turno em 21 de junho, segundo as pesquisas.
O líder nas intenções de voto é o senador de esquerda e candidato governista Iván Cepeda. Ele aposta em dar continuidade à política de “Paz Total” de Petro, criticada pela oposição, que a considera indulgente com os grupos armados.
O adversário de extrema direita, o advogado Abelardo de la Espriella, por sua vez, promete enfrentar as organizações com mão de ferro. Ele também pretende eliminar o tribunal criado a partir do acordo com as FARC, que julga os crimes mais graves do conflito com penas alternativas à prisão para aqueles que confessam a verdade sobre seus delitos.
Eleitores esperam paz e tranquilidade
Petro manteve negociações de paz durante um ano com uma facção das dissidências liderada por Iván Mordisco, mas o líder rebelde abandonou as conversas em 2024 e intensificou sua ofensiva contra o Estado.
“A polarização na Colômbia, em um contexto de insatisfação social, transformou Cepeda e De la Espriella nos únicos com chances reais de chegar ao segundo turno”, avalia, em entrevista à RFI, o professor da Universidade Externado da Colômbia, Jairo Libreros.
Independentemente de quem vencer, Flor Valencia, diretora de uma escola em Suárez, espera que o futuro presidente “ponha a mão no coração (…) e que possa trazer um pouco de paz e tranquilidade”.
Em 2025, Suárez registrou 77 ações com explosivos e drones, principalmente dirigidas à base militar e à delegacia de polícia, embora civis frequentemente sejam atingidos, afirma o prefeito César Cerón. A violência está “fora de controle”, acrescenta.
“Que a paz chegue, por favor”, pede também Tania Cervantes, administradora de um hotel da cidade.
Em Suárez nasceu Francia Márquez, vice-presidente de Petro e vencedora, em 2018, do Prêmio Goldman, considerado o Nobel do meio ambiente. Em 2019, Márquez sobreviveu a um ataque com tiros de fuzil e granadas por defender a água das comunidades negras frente à mineração na região.
“O próximo presidente (…) precisa nos garantir totalmente a segurança”, afirma o prefeito Cerón. Mas a paz não se alcança “apenas com a presença militar”, diz ele, e sim com políticas sociais que “garantam condições econômicas às famílias”.
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