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Christa Pike acorda "com raiva e confusa" após execução fracassada nos EUA

Condenada à morte nos EUA, Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu após receber duas doses de injeção letal

07/10/2026 17:37, atualizado 07/10/2026 18:01
TDOC/Reprodução
Christa Pike, condenada à pena de morte nos EUA

Christa Pike, de 50 anos, recuperou a consciência seis dias após sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, nos Estados Unidos. Segundo um dos advogados, ela está “com raiva e confusa” e já consegue compreender parte do que aconteceu durante o procedimento, realizado em 30 de setembro.

“Ela está com raiva e confusa com tudo neste momento. […] Ela tem plena consciência do que fizeram com ela até certo ponto”, afirmou o advogado Randy Spivey nesta quarta-feira (7/10).

Segundo os advogados, o prognóstico continua incerto. Durante a tentativa de execução, os braços dela sofreram queimaduras e ficaram cobertos de bolhas. Ela permanece internada e algemada à cama do hospital.

Pike sobreviveu mesmo após receber duas doses de pentobarbital, medicamento usado em execuções por injeção letal. A mulher foi condenada à morte aos 18 anos após ela e o então namorado, Tadaryl Shipp, espancarem com um pedaço de concreto e matarem a facadas Colleen Slemmer, de 19, em uma área de mata em Knoxville, em 12 de janeiro de 1995.

O assassinato foi motivado por ciúmes, já que a mulher temia que Slemmer estivesse tentando roubar seu namorado. O corpo da jovem foi encontrado com um pentagrama entalhado no peito, feito por Shipp, com um estilete.

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O Death Penalty Information Center afirma que Pike é a única pessoa conhecida a sobreviver após receber drogas destinadas a uma execução por injeção letal.

Justiça manda preservar provas

A situação também levou a equipe jurídica de Pike a pedir à Justiça que obrigasse o Departamento de Correção do Tennessee a preservar todas as evidências relacionadas à execução.

Em uma audiência realizada nesta quarta, em Nashville, os advogados solicitaram acesso a informações que possam ajudar a esclarecer o que deu errado durante o procedimento.

A juíza I’Ashea Myles determinou que o estado preserve “tudo o que estava na sala onde a execução de fato ocorreu”. A ordem inclui gravações, relatos de testemunhas, e-mails, medicamentos, seringas, acessos intravenosos e outros materiais médicos.

Os advogados também pediram a preservação dos números dos lotes dos medicamentos utilizados, registros da execução e agulhas.

“Parte do problema que estamos enfrentando é que, até ontem, nossa cliente estava inconsciente, sem condições de se comunicar com seus advogados, sem condições de se comunicar com os profissionais de saúde”, afirmou ao tribunal Luke Ihnen, defensor público federal.

A equipe jurídica sustenta que, sem o consentimento de Pike e enquanto ela permanecia inconsciente, havia limitações para apresentar uma nova ação judicial.

A defesa de Pike considera a investigação insuficiente e pede que a pena de morte seja convertida em prisão perpétua.

Execução reacende debate

A tentativa fracassada de executar Pike voltou a colocar sob escrutínio o método de injeção letal utilizado pelos estados norte-americanos. O caso também levantou questionamentos sobre os procedimentos adotados durante a aplicação dos medicamentos e sobre as condições médicas da execução.

Nessa terça-feira (6/10), os advogados já haviam informado que Pike permanecia inconsciente e que a recuperação poderia ser longa. Agora consciente, ela deverá continuar internada enquanto a equipe médica acompanha sua evolução.

O Tennessee suspendeu a próxima execução prevista no estado enquanto uma revisão independente tenta determinar o que aconteceu durante o procedimento que deixou Pike viva após receber as doses letais.

Christa Pike acorda "com raiva e confusa" após execução fracassada nos EUA