China se opõe à interferência externa no Brasil, diz Xi Jinping a Lula
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o homólogo chinês, Xi Jiping, na noite de domingo (26/7)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com o presidente da China, Xi Jinping, na noite de domingo (26/7). Em ligação de mais de uma hora de duração, o líder chinês afirmou que apoia o Brasil contra a interferência externa e na defesa da soberania.
Xi Jinping disse a Lula que a “China valoriza muito o status internacional e a importante influência do Brasil e apoia o país na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa”, segundo a imprensa estatal chinesa.
Os presidentes concordaram na intenção de ampliar a cooperação Brasil-China nas áreas de inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
O governo brasileiro ressaltou, em nota, que “segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais”, em meio às tarifas adicionais que os Estados Unidos impuseram a produtos brasileiros, que vão de 12,5% a 37,5%. Ambos os países concordaram sobre a importância de acelerar um acordo Mercosul-China “que contemple as necessárias flexibilidades”.
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A declaração de Xi Jinping vem num momento em que as eleições brasileiras se aproximam, e o governo tem reiterado a soberania brasileira, em meio à tensão de que os Estados Unidos interfiram nas eleições.
Lula, nesse domingo (26/7), publicou um “recado a Trump”, por meio de um artigo no jornal estadunidense Washington Post no domingo, no qual diz que “ninguém vai nos derrotar através de mentiras” e que não vão prosperar tentativas de o governo norte-americano “impor restrições” à parceria Brasil-EUA “para fins eleitorais”.
No último fim de semana, o governo Lula negou vistos a dois funcionários do governo Trump que viriam ao Brasil – Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, ambos do Departamento de Estado dos EUA.
Segundo reportagem do Washington Post, o governo de Donald Trump teria planejado a missão para colocar dúvidas sobre a integridade das eleições brasileiras.
O Departamento de Estado dos EUA, em nota enviada ao Metrópoles, negou que a viagem dos oficiais tivesse como objetivo descredibilizar as eleições brasileiras, classificando como “mentira infundada”. O governo norte-americano, porém, admitiu que o processo eleitoral no Brasil era um dos motivos da viagem.
“O secretário assistente Barnes e o secretário assistente adjunto Samson estavam programados para visitar Brasília, Brasil, de 27 a 30 de julho, para se reunir com autoridades governamentais, líderes religiosos e membros da sociedade civil a fim de discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão”, diz trecho da nota do governo norte-americano.



