Caso Master vira notícia na The Economist

Revista britânica afirma que falência do Banco Master revelou ligações políticas e no Judiciário e abalou a credibilidade institucional

atualizado

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1 de 1 Fachada do banco Master - Foto: Divulgação/Banco Master

A revista britânica The Economist publicou, nesta quinta-feira (22/1), um artigo detalhado sobre a falência do Banco Master e avaliou que o caso extrapolou o campo financeiro ao expor relações entre empresários, políticos e integrantes do Judiciário brasileiro.

O texto, intítulado “A quebra de um banco brasileiro envolve políticos e juízes”, reconstitui a trajetória da instituição financeira após Daniel Vorcaro assumir a presidência, em 2019. “Nos anos seguintes, gastou generosamente com imóveis, jatos particulares, um hotel de luxo e um time de futebol. Desembolsou mais de US$ 3 milhões na festa de 15 anos da filha. Enquanto o champanhe rolava solto e os jatos acumulavam milhas, alguns questionavam como o Banco Master estava crescendo tão rápido. O modelo de negócios do banco era baseado na venda de certificados de depósito bancário, um produto de renda fixa popular no Brasil, com taxas de juros excepcionalmente altas”, descreve a revista.

Segundo a The Economist, a situação se agravou quando Vorcaro tentou vender o Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Durante a análise da operação, o Banco Central teria identificado problemas graves, como a falta de liquidez e a comercialização de carteiras de crédito consideradas sem valor econômico.

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
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Vorcaro avisou ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que não irá à audiência após decisão do ministro do STF André Mendonça
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Vorcaro avisou ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que não irá à audiência após decisão do ministro do STF André Mendonça
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Vorcaro avisou ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que não irá à audiência após decisão do ministro do STF André Mendonça

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“Os investigadores descobriram que a empresa havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões. Pouco depois, o Sr. Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular para Dubai. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) desembolsará entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões para reembolsar os depositantes, a maior indenização desse tipo na história do Brasil”, afirma a publicação.

Para além do impacto financeiro, a revista sustenta que o caso revelou uma ampla rede de relações políticas e institucionais. De acordo com o texto, “os efeitos da falência do Banco Master vão muito além do setor bancário”, ao expor conexões entre empresários, parlamentares e membros do Judiciário em Brasília.

“A saga poderia ter terminado aí. Mas os efeitos da falência do Banco Master vão além do setor bancário. Isso porque o Sr. Vorcaro passou anos cultivando laços com a elite brasileira. O caso expôs ligações entre políticos, figurões do mercado financeiro e o judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação do Supremo Tribunal Federal e do Congresso”, acrescenta.

A The Economist também menciona tentativas de políticos do Centrão de barrar investigações e de pressionar por mudanças legislativas que poderiam reduzir a autonomia do Banco Central.

“Suprema Corte do país carece de imparcialidade”

Entre os pontos abordados, a revista cita o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O artigo afirma que o Banco Master firmou um contrato milionário com um escritório de advocacia ligado à família do magistrado e avalia que os valores e os termos do acordo “não são normais” para os padrões brasileiros, segundo especialistas ouvidos pela publicação.

O texto também relata contatos entre Moraes e o presidente do Banco Central antes da liquidação do banco. Embora o ministro tenha negado irregularidades e afirmado que os encontros trataram de outros assuntos, a revista observa que o episódio “alimentou suspeitas” sobre a relação entre autoridades.

A reportagem menciona ainda o ministro Dias Toffoli, ao citar viagens e investimentos que, segundo a The Economist, ampliaram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, ainda que sem provas de envolvimento direto. A revista lembra, também, a proposta do ministro Edson Fachin para a adoção de um código de ética mais rigoroso, inspirado no da Corte Constitucional da Alemanha, mas destaca que a iniciativa não avançou.

“No entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade. Para combater tais suspeitas, o novo presidente da Corte, Edson Fachin, um juiz sóbrio que evita os holofotes, propôs que o tribunal adotasse um código de ética nos moldes do da Corte Constitucional da Alemanha. Os colegas de Fachin zombaram da proposta.”

Ao final, a revista britânica avalia que o principal personagem fortalecido pela crise foi o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

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