Casa Branca não confirma encontro entre Trump e Lula na assembleia da ONU
Presidente Lula viaja para os EUA no próximo domingo (20/9) para participar da Assembleia Geral da ONU em Nova York

Segue incerta a possibilidade de uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em Nova York, durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Restando menos de uma semana para a abertura do evento, tanto a Casa Branca, quanto o Itamaraty, ainda não tem confirmações sobre o encontro.
81ª Assembleia Geral da ONU
- Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, com sessões anuais regulares sendo realizadas entre setembro e dezembro. Reuniões emergenciais podem ser convocadas caso haja necessidade.
- O órgão é composto pelos 193 países membros da ONU, que possuem direito a um voto cada nas discussões.
- Todos os anos, a Assembleia Geral realiza a Semana de Alto Nível com a presença de chefes de Estado e de governo dos países da ONU. O evento acontece em Nova York, e é uma oportunidade para lideranças discursarem.
- Neste ano, o tema do evento é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
- Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU.
Ao Metrópoles, um porta-voz da Casa Branca, ouvido reserva, afirmou que a agenda de reuniões do presidente norte-americano ainda não foi confirmada. Já o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que não há expectativas para um possível encontro formal entre os dois presidentes.
Segundo o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, existe a possibilidade de Lula e Trump se encontrarem brevemente nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, como aconteceu no último ano.
O líder brasileiro é o primeiro a discursar no evento e, após a fala, passa o bastão para o presidente norte-americano. Foi nesse meio tempo que os dois conversaram em 2025 por alguns minutos nos bastidores do evento da ONU. Tempo suficiente suficiente para Trump sentir uma “química excelente” com o líder brasileiro.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUma possível reunião de Trump e Lula na ONU pode ser a oportunidade de os dois líderes debaterem assuntos que têm tensionado a relação entre EUA e Brasil.
Desagrado
Nos últimos meses, a administração norte-americana adotou uma série de medidas que desagradou o governo brasileiro. Entre elas, a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, devido a demora do Itamaraty em conceder o aval diplomático para o embaixador designado por Trump para assumir a Embaixada dos EUA no Brasil.
Além disso, os EUA voltaram a aplicar tarifas contra exportações brasileiras, alegando praticas comerciais brasileiras desleais, e acusações sobre falhas no combate ao trabalho forçado. Somadas, as alíquotas chegam a casa dos 37,5%.
Outro ponto sensível na relação entre Washington e Brasília diz respeito a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida é vista por autoridades brasileiras como uma maneira de os EUA deixarem brechas para possíveis ações — incluindo militares — contra o Brasil sob a bandeira de combate ao terrorismo.
Na terça-feira (16/9), Trump enviou um documento para o Congresso dos EUA onde cita os dois grupos criminosos brasileiros. No relatório, que aborda países facilitadores ou produtores de drogas, o líder norte-americano acusou o governo brasileiro de falhar no combate ao PCC e CV, e disse que o Brasil se tornou um “centro de distribuição global de cocaína”.
Ao mesmo tempo, o republicano elogiou governos de direita na América Latina, aliados aos interesses dos EUA na região, que estariam atuando para combater o tráfico internacional.
Participação de Lula na Assembleia Geral da ONU
Lula embarca para Nova York no próximo domingo (20/9). A previsão, contudo, é de que a participação do presidente brasileiro na Assembleia Geral da ONU seja menor do que em edições anteriores por conta da campanha eleitoral deste ano.
A única brecha para reuniões com outros chefes de Estado e autoridades é na segunda-feira (21/9). Até o momento, apenas um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, está agendado. O prefeito de NY, Zohran Mamdani, convidou Lula para bilateral durante, mas o assunto ainda é analisado pelo governo brasileiro.
Depois de realizar o discurso de abertura do evento, na manhã de terça-feira (22/9), Lula a retorna ao Brasil.
A expectativa do Itamaraty é de que temas como a não interferência de países em assuntos internos de outras nações, e a defesa do multilateralismo, negociações de paz e do direito internacional humanitário.
Lula também deve abordar a reforma no Conselho de Segurança da ONU, e cobrar paz aos cinco membros permanentes do órgão — EUA, China, Rússia, França, Reino Unido.
No restante das atividades da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A previsão é de que o chanceler participe de uma série de reuniões e eventos em NY.
Os ministros da Gestão e Inovação, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial também vão participar de atividades durante o evento.















