Câmara russa aprova projeto de lei que proíbe "mudança de sexo"
Única exceção prevista no texto é para crianças que apresentarem “anomalias fisiológicas congênitas” que precisem de intervenção cirúrgica
14/06/2023 16:46, atualizado 14/06/2023 16:58

A Duma, Câmara dos Deputados da Rússia, aprovou, nesta quarta-feira (14/6), um projeto de lei que proíbe a “mudança de sexo” no país, por meios cirúrgicos ou legais. A medida intensifica a ofensiva do presidente russo, Vladimir Putin, contra a comunidade LGBTQIA+.
O texto aprovado prevê apenas exceções para crianças que apresentarem “anomalias fisiológicas congênitas” durante a formação dos órgãos genitais. Entretanto, para passar pelo procedimento cirúrgico, o paciente precisará de aprovação do governo russo, segundo o projeto de lei.
“Os trabalhadores médicos estão proibidos de realizar intervenções médicas destinadas a mudar o sexo de uma pessoa, incluindo a formação de características sexuais primárias e (ou) secundárias de uma pessoa do sexo oposto”, destaca o projeto de lei.
O projeto foi apresentado pelas principais bancadas da Duma – entre elas, o Partido Rússia Unida e o Partido Comunista – e tem como base a Constituição russa, que defende os “valores familiares tradicionais”. Além disso, a Carta Magna russa também ressalta que o casamento é definido apenas como “a união de um homem e uma mulher”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA medida adotada aprovada pela Duma faz parte de uma uma tentativa de se afastar cada vez mais da cultura ocidental.
“Nos Estados Unidos, onde esses novos pseudovalores são promovidos, a proporção de transgêneros entre os adolescentes já é três vezes maior do que entre os adultos. Este é o resultado da propaganda”, afirmou o presidente da Duma, Vyacheslav Volodin.
“O número de crianças que recebem terapia hormonal mais do que dobrou em cinco anos. O bombeamento de crianças com hormônios começa aos 8 anos. Ao longo de cinco anos, de 2017 a 2021, foram realizadas mais de 2 mil cirurgias de mudança de sexo em crianças de 13 a 17 anos”, completou Volodin.
No fim do ano passado, os parlamentares russos aprovaram uma nova versão, ainda mais rigorosa, da lei que reprime a “propaganda homossexual” entre todas as faixas etárias no país. Qualquer cidadão flagrado cometendo a “infração” poderá ser multado em até 400 mil rublos, aproximadamente R$ 22 mil.



