Câmara argentina aprova acordo UE-Mercosul e envia ao Senado
Argentina busca ratificar tratado UE-Mercosul antes do Brasil e garantir vantagem comercial no bloco
atualizado
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A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na noite dessa quinta-feira (12/2), o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, em uma votação que registrou 203 votos favoráveis, 42 contrários e quatro abstenções. O texto agora segue para análise do Senado.
A iniciativa é impulsionada pelo presidente argentino, Javier Milei, que busca transformar o país no primeiro membro do Mercosul a ratificar integralmente o tratado no Congresso, passo considerado essencial para acelerar sua entrada em vigor.
Estratégia para sair na frente do Brasil
A estratégia do governo argentino é garantir acesso antecipado às cotas de exportação previstas no acordo, especialmente para produtos agropecuários como a carne, o que poderia colocar Buenos Aires em posição competitiva frente ao Brasil dentro do bloco sul-americano.
Enquanto isso, o Congresso iniciou o debate para ratificar o acordo na últma terça-feira (10/2), o que abre margem para uma possível vantagem comercial argentina caso o Senado confirme a aprovação.
Para acelerar o processo, o Executivo argentino enviou o texto ao Congresso com pedido de tratamento em sessões extraordinárias, sinalizando prioridade política e econômica ao pacto com os europeus.
Acordo UE-Mercosul
- Assinado após cerca de 25 anos de negociações, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia prevê a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com impactos econômicos e geopolíticos relevantes.
- Além do potencial de ampliação do comércio bilateral, o pacto é interpretado como uma tentativa de aproximação estratégica entre sul-americanos e europeus em meio à crescente polarização global entre Estados Unidos e China, reforçando o papel do bloco como ator relevante nas disputas econômicas internacionais.
Divisão política e mudança de postura
A votação também evidenciou divisões internas no espectro político argentino. Até mesmo setores do peronismo, tradicionalmente mais protecionistas, se dividiram, com parte da bancada apoiando a abertura comercial proposta pelo acordo.
O movimento marca uma inflexão relevante na política externa de Milei, que, até 2024, expressou a vontade de retira a Argentina do Mercosul, mas agora aposta no bloco como plataforma estratégica para ampliar exportações e atrair investimentos.
Do lado europeu, o tratado ainda enfrenta etapas institucionais. O Parlamento Europeu encaminhou o acordo para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, um processo que pode se estender por até dois anos.








