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Mundo

Brasil é o maior perdedor do tarifaço de Trump, diz Financial Times

Novas taxas começam a valer nesta sexta (24). Um escritório norte-americano entrou com ação contrária no Tribunal de Comércio Internacional

24/07/2026 16:53
Kevin Dietsch/Getty Images
Imagem colorida, Donald Trump - Metrópoles

Em artigo intitulado Europa ganha e Brasil perde na reforma tarifária de Trump, o jornal inglês Financial Times analisou os impactos do novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos e afirmou que, de longe, o maior perdedor é o Brasil.

O jornal especializado em economia destaca que o Brasil já havia sido atingido por tarifas exclusivas, impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

“Elas demonstram como Washington está encontrando novas maneiras de manter a principal política comercial de Trump, mesmo após a Suprema Corte ter decidido, em fevereiro, que as tarifas impostas após o seu evento do ‘dia da libertação’, em abril de 2025, eram ilegais”, analisou o artigo assinado pelos jornalistas Peter Foster, Alan Smith, Paola Tamma e Aime Williams.


Brasil é alvo de duas tarifas

  • Desde esta sexta-feira (24/7), alguns produtos brasileiros passaram a ser taxados em 37,5%, a partir de duas punições aplicadas pelos EUA
  • A mais recente, de 12,5%, se refere a uma investigação contra países que falharam no combate ao ingresso de mercadorias fabricadas com trabalho forçado.
  • A nova tarifa substitui a taxa global temporária de 10%, aplicada desde fevereiro deste ano após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar parte das tarifas anunciadas por Trump no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril de 2025.
  • Na última quarta-feira (22/7), já havia entrado em vigor uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações do Brasil.
  • A decisão foi anunciada pelo USTR, que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
  • Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas relacionadas ao Pix.

Ainda nesta sexta-feira (24/7), o escritório de advocacia Liberty Justice Center entrou com um processo no Tribunal de Comércio Internacional contra as novas taxas. A ação judicial argumenta que o governo não pode simplesmente transferir a mesma política tarifária global de uma lei para outra sem respeitar os limites impostos pelo Congresso.

“O trabalho forçado é moralmente indefensável, mas um objetivo importante não dá ao governo permissão para ignorar a lei”, disse Sara Albrecht , presidente e CEO do Liberty Justice Center. “O governo permitiu que uma tarifa global expirasse e a substituiu imediatamente por outra, sob uma legislação diferente. Alterar a legislação não altera a lei. Toda autoridade tarifária tem limites, e todo governo deve respeitá-los”, defende o escritório.

“As taxas sobem, principalmente no Brasil, mas também na China. Em geral, caem para os europeus, ainda que ligeiramente”, disse Johannes Fritz, diretor executivo da Global Trade Alert ao Financial. “Bélgica, Espanha e Itália são os países que mais têm a ganhar, com suas taxas efetivas caindo entre 1 e 1,5 ponto percentual. A Itália e a Espanha beneficiaram-se de uma redução nas taxas alfandegárias sobre calçados, vestuário de tecido plano, malhas e bolsas”, acrescentou.

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As novas tarifas da Seção 301 entraram em vigor à 0h01 (horário do leste dos EUA) do dia 24 de julho, imediatamente após o término da sobretaxa da Seção 122, que durou 150 dias. Elas impõem tarifas de 10% ou 12,5% .