Bento XVI acobertou padre suspeito de abuso de menores, diz jornal

Die Zeit investigou abusos praticados por padre entre 1973 e 1996. Religioso teria cometido, no mínimo, 23 crimes sexuais contra menores

atualizado 04/01/2022 23:36

Papa emérito Bento XVIGrzegorz GalazkaArchivio Grzegorz GalazkaMondadori via Getty Images

O papa emérito Bento XVI foi acusado pela imprensa alemã de acobertar um padre suspeito de ter abusado sexualmente de menores de idade. Foram pelo menos 23 casos de violência sexual entre os anos de 1973 e 1996.

Na época, Joseph Ratzinger era arcebispo de Munique-Freising. O suspeito, padre Peter H., foi transferido em 1980 da diocese de Essen para a comandada pelo então arcebispo Ratzinger.

O jornal alemão Die Zeit divulgou, nesta terça-feira (4/1), um decreto extrajudicial do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Munique e Freising datado de 2016. O documento eclesiástico critica o comportamento adotado pelos superiores da Igreja Católica na região frente ao caso.

Bento XVI é acusado de admitir o padre mesmo com conhecimento das acusações prévias de crimes sexuais. Peter H. é acusado de ter continuado a abusar de jovens entre 8 e 16 anos mesmo depois da transferência.

A cúpula da Igreja Católica e os líderes locais, Joseph Ratzinger incluso, teriam exigido apenas que o suspeito se submetesse a psicoterapia. O documento explicita que os religiosos “renunciaram deliberadamente à punição do crime”.

O decreto com informações sobre os casos foi elaborado a pedido do cardeal Reinhard Marx, que está à frente da arquidiocese de Munique desde 2007. A publicação analisa acusações não investigadas entre 1945 e 2019.

O cardeal sucessor de Bento XVI em Munique, Friedich Wetter, chegou a reintegrar Peter H., que foi condenado em 1986.

Outro lado

Secretário pessoal do papa emérito, Georg Gänswein afirmou que Bento XVI não tinha conhecimento das acusações quando admitiu o suspeito na arquidiocese e por este motivo não assume responsabilidades sobre o caso.

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