Assessor do premiê britânico renuncia após indicar embaixador ligado a Epstein
Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Keir Starmer, disse que assume “total responsabilidade” pela indicação de Peter Mandelson
atualizado
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Morgan McSweeney, chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou neste domingo (8/2) após a crise enfrentada pelo governo britânico com a indicação de um diplomata ligado ao magnata Jeffrey Epstein para o cargo de embaixador nos Estados Unidos.
Em nota enviada à BBC, McSweeney afirmou assumir “total responsabilidade” pela indicação de Peter Mandelson (na foto em destaque).
“Após refletir cuidadosamente, decidi deixar o governo. A escolha de nomear Peter Mandelson foi um erro. Isso prejudicou nosso partido, o país e a confiança na política”, declarou.
“Fui eu quem aconselhou o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho”, acrescentou McSweeney.
Entenda
Peter Mandelson é casado com o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva e, até o ano passado, era embaixador do Reino Unido em Washington, mas foi demitido do cargo devido ao envolvimento com Epstein.
Epstein era um bilionário financista norte-americano com conexões em altos círculos políticos, financeiros e artísticos. Ele foi acusado de abusar sexualmente de centenas de meninas menores de 18 anos entre os anos 1990 e 2000.
Epstein chegou a ser preso duas vezes, em 2008 e em 2019. Após a segunda prisão, ele foi encontrado morto em sua cela. O óbito, oficialmente, foi tratado como suicídio.
Desde que arquivos sobre a prisão foram revelados, nomes de políticos e figuras públicas têm sido relacionados a casos de abuso sexual e exploração sexual infantil.
Mandelson é uma das pessoas citadas em arquivos de Epstein, que o magnata considerava um amigo e tinha o hábito de trocar e-mails. O diplomata manteve contato com Epstein, mesmo após a condenação. As mensagens trocadas entre os dois foram divulgadas e revelaram o grau de proximidade entre os dois.
“Os e-mails mostram que a profundidade e a extensão do relacionamento de Peter Mandelson com Jeffrey Epstein são materialmente diferentes daquelas conhecidas na época de sua nomeação”, disse o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido.
