
Claudia MeirelesColunas

Arquivos de Epstein expõem relações íntimas com a realeza britânica
Novas mensagens e documentos divulgados do caso de Jeffrey Epstein revelam um dos mais embaraçosos capítulos da vida da realeza moderna
atualizado
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A liberação de uma enorme coleção de documentos relacionados a Jeffrey Epstein abalou novamente a opinião pública, apontando evidências de relações prolongadas e afetivas entre o magnata e criminoso sexualsexual condenado e partes da família real britânica — especialmente Sarah Ferguson, a ex-duquesa de York, seu ex-marido príncipe Andrew, e as filhas do casal, princesa Beatrice e princesa Eugenie.
Um novo capítulo nos arquivos Epstein
Em 30 de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou um lote massivo de mais de 3 milhões de páginas de arquivos confidenciais — incluindo e-mails, fotos e correspondência — relacionados a Jeffrey Epstein, o financista condenado e acusado de tráfico sexual de menores que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento federal.

Esses documentos lançaram luz sobre comunicações e interações que até então não eram de conhecimento público, mostrando que algumas figuras ligadas à realeza britânica mantiveram contato contínuo com Epstein bem depois de sua primeira condenação em 2008.
Em 2008, Jeffrey Epstein declarou-se culpado na Flórida por acusações estaduais de solicitação de prostituição, incluindo uma menor. Ele firmou um acordo judicial considerado brando, resultando em uma sentença de 13 meses com regime de semiliberdade e registro como agressor sexual, evitando acusações federais mais graves na época.

Sarah Ferguson e Jeffrey Epstein: amizade duradoura e e-mails reveladores
- Almoço com as filhas dias após a prisão de Epstein
Um dos trechos mais chocantes surge de uma troca de e-mails datada de julho de 2009, apenas cinco dias depois de Epstein ter sido libertado de uma prisão da Flórida, onde cumpriu 13 meses por crimes sexuais relacionados à exploração de menores.
Na mensagem, Sarah Ferguson teria perguntado a Epstein:
“Que endereço devemos ir? Seremos eu, Beatrice e Eugenie. Vamos almoçar?” — indicando a presença de suas filhas no encontro.
Em um e-mail seguinte, já em agosto de 2009, ela escreveu:
“Nunca me senti tão tocada pela gentileza de um amigo na frente das minhas filhas. Obrigada, Jeffrey, por ser o ‘irmão que sempre desejei ter’.”
A menção explícita às filhas no contexto de uma visita à casa de um condenado por abuso de menores — com ambas com idades de 19 e 20 anos na época — gerou forte repercussão.

- Comentários controversos
Os arquivos também mostram e-mails de março de 2010 em que Ferguson respondeu a Epstein sobre planos de viagem com uma mensagem que mencionava sua filha mais nova, Eugenie, de forma considerada inapropriada e grosseira:
“Ainda não tenho certeza. Estou esperando a Eugenie voltar de um fim de semana de ‘shagging’ [sexo].”

A queda de reputação e consequências
- Encerramento de instituto beneficente
Poucos dias após a divulgação das mensagens, a fundação de caridade de Sarah Ferguson — Sarah’s Trust — anunciou o encerramento de suas atividades “pelo futuro previsível”, em meio à polêmica gerada pelas revelações.
A decisão segue um período em que diversas organizações já haviam cortado laços com a ex-duquesa devido a mensagens anteriores que a mostraram elogiando Epstein e aceitando ajuda financeira.

- Impactos na imagem pública
O envolvimento nas comunicações de Epstein já havia custado a Ferguson diversas associações de caridade, suspensão de vendas de projetos editoriais e danos reputacionais contínuos no Reino Unido e internacionalmente.
Príncipe Andrew: e-mails contradizem narrativa anterior
Outro ponto central dos documentos envolve o príncipe Andrew, segundo filho da Rainha Elizabeth II. Apesar de anteriormente afirmar que havia rompido laços com Epstein em 2010, novos e-mails indicam continuidade da relação pelo menos até 2011, incluindo mensagens em que ele teria escrito: “Parece que estamos nisso juntos”.
Essas revelações corroem ainda mais a credibilidade pública de Andrew, que já teve seus títulos reais retirados em 2025 devido a seu relacionamento com Epstein e acusações associadas.

Reação e impacto nas princesas Beatrice e Eugenie
Fontes próximas relataram que Beatrice e Eugenie se sentem enganadas pelas explicações de seu pai sobre o fim da relação com Epstein, pois confiavam nas versões dadas por Andrew e outros membros seniores da família real.
O acúmulo de revelações envolvendo seu pai e, agora, sua mãe nas comunicações com Epstein tem sido descrito por fontes como um “ show de merda sem fim”, refletindo o desgaste emocional causado pelos novos detalhes públicos.
Apesar do impacto, as princesas tentam manter uma postura discreta em público e, segundo relatos, ainda oferecem apoio privado aos pais, embora mantenham certa distância em eventos oficiais.
As novas revelações alteram significativamente a narrativa pública sobre a relação entre figuras da realeza britânica e uma das figuras centrais de um dos maiores escândalos sexuais da história recente. Eles questionam versões anteriores sobre o fim de laços com Epstein, expõem relações pessoais que antes eram apenas objeto de especulação e provocam reflexões sobre responsabilidade, confiança e transparência na vida de figuras públicas.

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