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Após reuniões e até bate-boca, Europa tenta acertar passo com Trump

Presidente dos EUA recebeu na última semana o presidente francês, o premier britânico e o presidente da Ucrânia, além de conversar com Putin

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Presidente dos EUA, Donald Trump, olha para o fotógrafo - Metrópoles
1 de 1 Presidente dos EUA, Donald Trump, olha para o fotógrafo - Metrópoles - Foto: Andrew Harnik/Getty Images

A relação entre os Estados Unidos e a Europa ganhou contornos complicados desde que Donald Trump assumiu a presidência. Trump é conhecido pelos ataques constantes aos europeus, em especial à União Europeia, chamando-a de “uma inimiga criada para prejudicar os Estados Unidos no comércio”.

No entanto, em meio à Guerra na Ucrânia e às ameaças de taxação, os líderes europeus fizeram um intensivo de visitas à Casa Branca nesta semana. Mesmo assim, nem todos os encontros tiveram clima ameno, a exemplo do bate-boca entre Trump e o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, ao vivo, no Salão Oval, na sexta-feira (28/2).

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Donald Trump e Volodymyr Zelensky
Keir Starmer e Trump
Trump e Putin
Trump chama Zelensky de 'ditador' e alerta sobre perda da Ucrânia
O presidente americano Donald Trump
Zelensky e Trump discutem na Casa Branca
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Zelensky e Trump discutem na Casa Branca

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Trump chama Zelensky de 'ditador' e alerta sobre perda da Ucrânia
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Trump chama Zelensky de 'ditador' e alerta sobre perda da Ucrânia

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Temendo deportação por Trump, brasileiros buscam cidadania europeia
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Temendo deportação por Trump, brasileiros buscam cidadania europeia

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Rei Charles e Donald Trump
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Trump e Putin

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As reuniões e as movimentações para corrigir possíveis problemas entre as nações foram buscadas em decorrência do que o professor de economia internacional na Hayek Global College Maurício F. Bento explica ser a dependência econômica cada vez maior da Europa em relação aos EUA.

“EUA e Europa já são muito ligados economicamente, culturalmente, diplomaticamente e militarmente. Além disso, a Europa vem se tornando cada vez mais dependente dos EUA no setor energético, dado o afastamento para com a Rússia ocorrido desde o início da guerra na Ucrânia”, explicou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou a Casa Branca na segunda-feira (23/2) e disse que ficou “com muito pouca esperança” de que dificuldades pudessem ser resolvidas.

A visita foi feita para falar justamente de possíveis tarifas à UE e auxílios da guerra na Ucrânia. Para tratar dos mesmo assuntos, o premier britânico, Keir Starmer, se reuniu com o presidente norte-americano nessa quinta-feira (27/2), em uma reunião, nesse caso, dita “boa” para ambos lados.

Na sexta-feira, Trump recebeu Zelensky para firmar um “acordo preliminar” relativo ao desejo de Trump de obter acesso aos recursos minerais localizados no território ucraniano. No entanto, a reunião dos dois líderes, transmitida ao vivo, foi recheada de bate-bocas. Em dado momento, o presidente dos EUA chega a afirmar que “Zelensky não detém e não está agindo de forma grata às ajudas dos EUA. Ou você faz o acordo dos minerais, ou estamos fora”.

O presidente da Rússia, Vladmir Putin, disse que as conversas que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo da semana, são motivo de esperança. O russo ainda alertou Trump a não se deixar influenciar pelas “elites ocidentais”, em referência aos múltiplos encontros com líderes europeus que o presidente norte-americano realizou nesta semana.

Trump x mundo

Segundo o especialista Maurício F. Bento, “não há muito que Trump precise fazer para aproximar a Europa, que já é próxima e dependente. O movimento que ele almeja, e que é realmente relevante para os EUA, é afastar a Rússia da China“.

O ponto nevrálgico do conflito entre Ucrânia e Russia foi o desejo de o primeiro em entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Diante disso, o professor de economia internacional na Hayek Global College destaca que “a Otan é a principal aliança militar do planeta e os principais membros são EUA e Europa. Nesse sentido há uma forte ligação entre os dois lados do Atlântico. No entanto, esses encontros não significam apoio à Ucrânia contra a Rússia, nem sinalização de necessidade de união contra a Rússia”.

“Ao contrário, essa posição de união Atlântica contra a Russia era a posição do governo democrata de Biden e Kamala, altamente criticado por Trump. Até o momento, Trump vem dando sinais de que pretende reaproximar os EUA da Rússia, o que pode significar que os dias de Zelensky estejam contados”, avaliou Maurício.

Segundo ele, “o financiamento euro-americano da Ucrânia contra a Rússia é um dos principais pontos que empurrou os russos em direção à China e fortaleceu a aliança entre os dois países. Se Trump pretende se reaproximar da Rússia para enfraquecer a China, o primeiro passo é cortar o financiamento americano aos ucranianos e, em seguida, negociar o fim da guerra”.

“Esse último ponto necessitaria da concordância do Putin e dos europeus, uma vez que, findo o financiamento externo, a Ucrânia não teria condições de continuar a guerra. Assim, essa visita de Trump à Europa pode significar, também, um impulso nas negociações com os europeus para dar um fim à guerra”, avalia o especialista.

O professor destaca que o movimento de Trump em relação a Europa acontece “logo após as eleições na Alemanha. O país que antes era o motor econômico do continente, mas que agora vem sofrendo a maior implosão econômica da Europa, está em transição política e pouco tem a acrescentar neste momento”.

Industrialização

De acordo com o professor de economia internacional, “Trump tem a política do “América First”, ou seja, interesses dos EUA à frente dos interesses dos aliados. A Europa está se desindustrializando rapidamente dada a crise energética e a ascensão da indústria asiática, especialmente chinesa”.

“Trump pretende, portanto, retomar a industrialização nos EUA, e isso pode pressionar ainda mais a indústria europeia. Nessa balança, os Europeus são os mais fracos, pois, além de terem problemas internos graves e de difícil solução, hoje dependem mais dos EUA do que em anos anteriores. O futuro da indústria europeia não parece positivo, e não há muito que Macron possa fazer’, explica Maurício Bento.

Inglaterra x UE

A distância do Reino Unido em relação à União Europeia parece ter funcionado a seu favor quando o assunto são as tarifas de Donald Trump, pois, apesar de o presidente norte-americano não ter confirmado explicitamente que a Grã-Bretanha seria poupada das taxas, ele deixou isso implícito, ao afirmar que o Reino Unido está em um “lugar muito diferente” da UE.

No início desta semana, Trump acusou a UE de tentar “ferrar os Estados Unidos” e ameaçou impor tarifas de 25% sobre produtos do bloco “muito em breve”. Trump chegou a dizer que os EUA poderiam ter “ótimos acordos comerciais” com o Reino Unido.

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