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Após paz em Gaza, Trump tenta repetir feito na guerra da Ucrânia

Donald Trump busca encerrar conflito na Ucrânia, mas enfrenta resistência de Putin e tensão crescente entre Washington e Moscou

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Após mediar o cessar-fogo entre Israel e o Hamas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta repetir o feito na guerra da Ucrânia. O republicano aposta em sua imagem de “presidente da paz” e busca se consolidar como o grande articulador diplomático do século. Entretanto, ao contrário do que ocorreu no Oriente Médio, o desafio europeu se mostra complexo e delicado, esbarrando em um Vladimir Putin inflexível, um Volodymyr Zelensky sob pressão e uma crise na relação EUA-Rússia.

Na última semana, o governo norte-americano sinalizou a possibilidade de enviar mísseis Tomahawk à Ucrânia — decisão que, segundo o Kremlin, representaria “uma espiral séria de escalada” no conflito.

O porta-voz Dmitry Peskov alertou que o armamento poderia “agravar o risco de confronto direto entre as potências” e lembrou que os Tomahawks “podem ser equipados com ogivas nucleares”.

A tensão cresce menos de dois meses após a cúpula do Alasca, onde Trump e Putin prometeram “abrir caminho” para a paz. Desde então, as negociações travaram, e o próprio Kremlin admitiu que o diálogo entre os dois países está em uma “pausa séria”.

“Cenário europeu é muito mais complexo”

Para o especialista em direito internacional Pablo Sukiennik, ouvido pelo Metrópoles, a ambição de Trump em pacificar o Leste Europeu esbarra em um conflito de escala e natureza distintas da guerra em Gaza.

“Não há como comparar a guerra entre Israel e o Hamas com a guerra da Rússia com a Ucrânia”, afirma. “Na guerra Israel-Hamas, países terceiros não se envolveram diretamente. Ninguém forneceu armas ao Hamas abertamente. Já na guerra russo-ucraniana, temos uma União Europeia fortemente envolvida, sustentando o lado ucraniano, e uma Rússia que não está disposta a ceder.”

Segundo Sukiennik, Trump começou as negociações acreditando que a Ucrânia era o principal obstáculo.

“Ele pressionou Kiev para que cedesse o que entendia ser o desejo de Moscou e, assim, alcançasse um cessar-fogo. Mas a Rússia não se deu por satisfeita. Foi então que Trump percebeu que o problema maior estava em Putin”, explica.

Mesmo assim, o especialista destacou que o líder russo não é um interlocutor fácil. Segundo ele, a Rússia está acostumada a lidar com embargos, bloqueios e sanções desde os tempos soviéticos, e há, na sociedade russa, uma percepção histórica de que o Ocidente tenta limitar o desenvolvimento do país — tornando qualquer negociação muito mais complicada.

Sukiennik avaliou ainda que o cenário atual é de alta tensão, sem perspectivas de paz imediata.

“A situação está muito tensionada para imaginar um cessar-fogo rápido. Trump pode até tentar negociar, mas dificilmente terá resultados no curto prazo”, pondera.

Diálogos em pausa e desconfianças em dia

O Kremlin afirmou que as tratativas entre Moscou e Washington não avançam desde agosto, quando Putin e Trump se reuniram em Anchorage. Segundo Peskov, “nada está progredindo”, e Kiev ainda alimenta “falsas esperanças” de vencer no campo de batalha com o apoio ocidental.

Pouco após o encontro, líderes europeus e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, viajaram a Washington para pressionar Trump a manter a aliança com o bloco e endurecer a postura contra Moscou.

O resultado foi um impasse: a Rússia exige que a Ucrânia reconheça a perda de territórios no Donbass e abandone o plano de ingressar na Otan, enquanto Kiev insiste na integridade territorial e em garantias de segurança.


Impasse nuclear reacende desconfiança


Frustração de Trump

O impasse na guerra europeia contrasta com o triunfo diplomático recente de Trump no Oriente Médio. O cessar-fogo entre Israel e Hamas — que envolveu a libertação de reféns e prisioneiros palestinos — havia projetado o presidente como um mediador capaz de alcançar feitos histórico: como se tornar um nobelista.

Trump esperava ser reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz, mas viu a honraria ir para a opositora venezuelana María Corina Machado, líder do movimento contra Nicolás Maduro. A derrota diplomática foi interpretada como um golpe simbólico em sua tentativa de se firmar como figura global de consenso.

No meio desse impasse, o líder norte-americano tenta se equilibrar entre a retórica da paz e o pragmatismo de uma superpotência em guerra fria com Moscou.

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Encontro entre Vladmir Putin e Donald Trump
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Putin e Trump no Alasca em agosto de 2025
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Putin e Trump no Alasca em agosto de 2025

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