Após 3 dias de confrontos, Piñera diz que Chile está em guerra

Manifestações violentas e saques deixaram sete mortos e quase 1,5 mil detidos, na crise social mais grave em três décadas

atualizado 21/10/2019 13:02

Sebastian Brogca/Anadolu Agency via Getty Images

O Chile está “em guerra”, afirmou na noite de domingo (20/10/2019) o presidente Sebastián Piñera, depois de o país ter sido abalado por três dias de manifestações violentas e saques. Os atos deixaram sete mortos e quase 1,5 mil detidos, na crise social mais grave em três décadas.

“Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada nem ninguém e que está disposto a usar a violência e delinquência sem nenhum limite”, declarou Piñera após reunião com o general do Exército, Javier Iturriaga, que comanda a força de segurança em Santiago no momento.

O presidente explicou que a capital e outras nove regiões das 16 que formam o Chile se encontram em estado de emergência, com 9,5 mil militares e policiais nas ruas. O mandatário chileno confirmou que nesta segunda-feira (21/10/2019), primeiro dia útil depois de três jornadas de distúrbios, serão abertas 27 estações da linha 1 do metrô, uma das sete que integram a rede de Santiago.

O metrô está fechado desde sexta-feira (18/10/2019), depois que 78 estações e trens sofreram ataques, com prejuízo calculado pela empresa estatal que administra o serviço em mais de US$ 300 milhões.

Mais cedo, o ministro do Interior, Andrés Chadwick, confirmou sete mortes, todas durante saques: duas no incêndio de um supermercado e cinco em incêndio de uma fábrica têxtil.

A situação em Santiago provocou o cancelamento de centenas de voos no aeroporto, enquanto milhares de pessoas aguardavam nos terminais. Os estudantes convocaram novos protestos para esta segunda-feira. As autoridades do país preveem grande dificuldade nos transportes públicos.

As manifestações explodiram após o aumento do preço da passagem do metrô – medida que o governou cancelou. Os atos eram inimagináveis há alguns dias, quando Piñera classificou o Chile como um “oásis” de estabilidade.

Contudo, os protestos apresentaram também outras reivindicações, em uma sociedade que registra grande descontentamento.

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