Ao renovar emergência, EUA cita interferência econômica do Brasil
Sem apresentar provas, Donald Trump alega que Brasil adota práticas que interferem na economia dos Estados Unidos

Entre as justificativas para prorrogar o estado de emergência nacional contra o Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apontou supostas ações do governo brasileiro que estariam interferindo na economia norte-americana. A medida, sem efeitos práticos momentâneos, será oficializada nesta quarta-feira (29/7).
O presidente norte-americano voltou a fazer acusações relacionadas a “políticas, práticas e ações” do atual governo do Brasil, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que “interferem na economia dos Estados Unidos”.
Trump não detalhou quais seriam tais práticas. A prorrogação da emergência nacional contra o Brasil, porém, coincide com as recentes tarifas norte-americanas aplicadas sobre produtos brasileiros.
Emergência nacional
- Donald Trump decretou, em julho de 2025, um estado de emergência nacional contra o Brasil.
- À época, o presidente dos EUA disse que a medida era uma resposta a ações do Supremo Tribunal Federal (STF) que afetariam a segurança e a economia norte-americanas.
- Trump também saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que aguardava julgamento por tentativa de golpe de Estado.
- A prorrogação da emergência nacional não prevê sanções ou tarifas adicionais contra o Brasil.
Em 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação que resultou na tarifa de 25% contra o Brasil por “práticas desleais” que estariam prejudicando empresas norte-americanas. Entre elas, o Pix, a proteção à propriedade intelectual e o desmatamento ilegal.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDias depois, o USTR aplicou uma nova taxa de 12,5% contra produtos brasileiros, desta vez usando alegações sobre supostos casos de trabalho forçado no Brasil. Assim, parte das exportações brasileiras para os EUA enfrenta, agora, uma alíquota total de 37,5%.
Sem efeito prático
Apesar da prorrogação da emergência nacional no Brasil, a medida norte-americana não possui efeitos práticos no curto prazo, como a aplicação de novas tarifas.
Na ordem executiva que definiu o estado de emergência, publicada em julho de 2025, Trump anunciou uma sobretaxa de 40% sobre os produtos brasileiros — que se somou à taxa de 10% aplicada durante o tarifaço.
As duas taxas, contudo, perderam validade após a Suprema Corte dos EUA as classificar como ilegais.



