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Copa do Mundo 2026Mundo

Aliados na diplomacia, Brasil e Marrocos são adversários em campo hoje

Ao Metrópoles, embaixador de Marrocos no Brasil falou sobre as expectativas para o Mundial deste ano, e a preparação para a Copa de 2030

Junio Silva, José Augusto Limão13/06/2026 02:00, atualizado 12/06/2026 18:56
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Reprodução/ Instagram @equipedumaroc
Aliados na diplomacia, Brasil e Marrocos são adversários em campo hoje

Com relações pautadas principalmente por uma sólida parceria comercial, e um longo histórico de apoio diplomático e cooperação, Brasil e Marrocos compartilham uma outra conexão em comum, apesar da diferença cultural entre os dois país: o futebol.

Prestes a enfrentar a Seleção Brasileira pela primeira rodada da do Grupo C da Copa do Mundo 2026, Marrocos chega a atual edição do torneio colecionando feitos. No último Mundial, os Leões do Atlas alcançaram o 4º lugar na competição, e fizeram história ao se tornarem a primeira seleção africana, e de um país árabe, a chegar até a semifinal do maior torneio de futebol do mundo. 

Em entrevista ao Metrópoles, o embaixador de Marrocos no Brasil, Nabil Adghoghi, comentou sobre as expectativas do país para o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá, e os recentes investimentos no futebol, cujos reflexos já foram vistos na última Copa do Mundo.

O diplomata, que recebeu a reportagem na sede da representação diplomática marroquina em Brasília, falou sobre a preparação do país para a Copa do Mundo de 2030. O torneio terá Marrocos, Espanha e Portugal como as sedes principais, e também contará com partidas comemorativas de abertura no Uruguai, Argentina e Paraguai.

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Em amistoso, Marrocos e Noruega empatam em 1 x 1
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Abdessamad Ezzalzouli
Marrocos estreia na Copa do Mundo contra o Brasil.
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Marrocos estreia na Copa do Mundo contra o Brasil.
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Marrocos estreia na Copa do Mundo contra o Brasil.

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Confira a entrevista:

Qual sua expectativa para a Copa do Mundo de 2026?

Estou muito entusiasmado com o Marrocos, porque o público acredita que o Marrocos será capaz de reeditar o que ele fez na Copa do Mundo do Catar. Mas isso é futebol…

De qualquer maneira, o time é bom. Tem um técnico marroquino que é muito bom. Agora, porque o fim da temporada sempre tem jogadores machucados, já temos dois jogadores que não vão para Copa porque foram machucados na partida contra a Noruega, no domingo passado.

Mas a priori, eu acho que o Marrocos é candidato para passar a fase de grupos junto com o Brasil, porque os outros, Haiti e Escócia, creio que estão abaixo do nível.

O Marrocos não é um dos  um dos candidatos ao título, porque os candidatos são Brasil, França, Espanha e Argentina.

Marrocos chegou à semifinal do último Mundial, e em 2025 a seleção sub-20 ganhou a Copa do Mundo. Como que o governo de Marrocos investiu no futebol para chegar a esses resultados tão expressivos?

Marrocos não é um novato no futebol. Foi o primeiro país africano a participar de uma Copa do Mundo, em 1970, no México.

Na época teve uma boa atuação, ganhou da Bulgária e perdeu para Alemanha por 2 a 1. Depois disso, se classificou para seis Copas do Mundo.

Por exemplo, em 1986, ainda no México, o Marrocos foi o primeiro país africano a se classificar para as oitavas de final. Ganhou da Inglaterra, de Portugal e empatou com a Polônia. Tivemos umas atuações muito boas.

O governo investiu na infraestrutura de vários estádios para ter padrão mundial. Marrocos sediou a Copa Africana das Nações, em janeiro de 2026, e foi um torneio de alto nível.

Realizamos, sobretudo, um investimento pesado na formação dos jovens, com a Academia de Futebol Mohammed VI, que fabrica jovens talentos. Esses jovens atuam tanto no Marrocos, quanto no futebol Europeu.

Os jogadores de futebol marroquinos jogam no mais alto nível. Jogam no Real Madrid, PSG. A gente perdeu Lamine Yamal, que é marroquino, mas optou por jogar pela Espanha.

Marrocos está produzindo cada vez mais jogadores, tanto formados no Marrocos, como a Academia de Futebol Mohammed VI, quanto da diáspora dos marroquinos nascidos na Europa e que optaram por jogar para o Marrocos.

Isso aconteceu justamente na Copa do Mundo de 2022. Os jogadores mostraram um lado muito interessante, quer dizer, depois das vitórias festejaram com as mães marroquinas. Essa homenagem foi uma bela expressão da família marroquina, que mostrou essa cultura marroquina ao mundo.

Por que o governo de Marrocos decidiu criar a Academia de Futebol Mohammed VI? Ela já tem resultados concretos agora, por exemplo, algum jogador da seleção, seja da principal ou de seleções de base foram formados pela academia?

É uma decisão óbvia, porque quando você tem um talento e quando você tem o apego popular, é óbvio que o governo tem que conectar esses dois aspectos, para produzir algo de concreto e de positivo.

Temos bons jogadores do Marrocos desde de sempre. A academia já está produzindo talentos que atuam tanto no futebol nacional, ou são vendidos para fora.

O resultado mais emblemático da Academia de Futebol Mohammed VI foi  justamente a vitória da Copa do Mundo sub-20 contra a Argentina no Chile, em outubro de 2025.

Como o Marrocos tem se preparado tanto esportivamente quanto questões de infraestrutura para a Copa de 2030?

É um grande evento porque agora a Copa do Mundo passou a ter 48 seleções, e o Marrocos, junto com Espanha e Portugal, vai sediar a edição de 2030. Para isso, hoje o Marrocos é um canteiro a céu aberto. Várias obras de infraestrutura estão sendo efetuadas, concretizadas.

Cito a construção do maior estádio de futebol do mundo, o Grand Stade Hassan II, em Casablanca, para uma capacidade total de 115.000 pessoas. É um projeto fantástico que com certeza vai se candidatar para sediar a final ou a abertura.

Além disso, obras de infraestrutura de transporte ferroviário e aéreo. Por exemplo, o aeroporto de Casablanca vai ter um novo terminal aeroportuário para uma capacidade de 20 milhões de passageiros, a partir de 2029.

A companhia nacional Air Maroc — que é a principal do país — tem um programa de investimento para chegar a 200 aviões em 2037. Então, agora estão com uma frota de cerca de 60 a 70 aviões.

Tudo isso é um projeto de infraestrutura. N transporte ferroviário, em Marrocos, temos linha de trem que conecta Casablanca com Tânger. Agora vai ser estendido até Marrakech. De Tânger até Marrakech.

Também tem obras de infraestrutura de hotéis, nos quais várias empresas de turismo internacional estão investindo. O último foi Waldorf-Astoria Hotel, de Nova York, que abriu um hotel alto padrão em Rabat. Há várias empresas investindo em Marrocos na perspectiva de 2030.

Ano passado, por exemplo, Marrocos chegou a receber 20 milhões de turistas. A perspectiva é de um número maior pós-Copa do Mundo.

E toda essa infraestrutura que estão construindo vai sobrar. Tudo isso vai permitir ao Marrocos alcançar o padrão bem alto de infraestrutura hoteleira, esportiva, e de uma maneira geral.

Você acredita que após a Copa, Marrocos vai conseguir reter esses turistas e impulsionar o setor em Marrocos?

Marrocos já recebe 20 milhões de turistas. Agora, com a Copa do Mundo, é óbvio que o futebol hoje em dia faz parte do “soft power”, acrescenta a atratividade do país.

Após a Copa do Mundo de 2022 no Catar, quando o Marrocos teve uma bela atuação esportiva, e chegou até a semifinal, houve um maior o interesse de vários torcedores, incluindo o Brasil, no nosso país.

Agora, com a conexão aérea direta entre São Paulo e Casablanca, Marrocos recebe cerca de 60 mil (brasileiros). Antes da Copa do Mundo no Catar era algo entre 20 a 30 mil. Esse número dobrou.

O objetivo é alcançar  um maior número, tanto do lado brasileiro para Marrocos, quanto dos marroquinos para o Brasil. Essa infraestrutura de boa qualidade vai acrescentar o fluxo turístico, e sediar um evento de envergadura mundial como a Copa do Mundo tem o efeito de apelo.

Acho que vão chegar lá 30 milhões, daqui a uns 3 ou 4 anos. Com certeza vai aumentar o número de turistas que visitam o Marrocos.