Aiatolá do Irã após ataque dos EUA: país não teme ameaças de Trump

Em pronunciamento, Ali Khamenei disse que o Irã não vai se render e chamou as declarações de Trump de “ridículas” e “inaceitáveis”

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Anadolu Agency/Getty Images
Imagem colorida de Ali Khamenei, lider supremo do Irã - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de Ali Khamenei, lider supremo do Irã - Metrópoles - Foto: Anadolu Agency/Getty Images

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse, nesse domingo (22/6), que o país persa não vai se render e que não teme as ameaças realizadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração do iraniano é a primeira manifestação dele, depois que forças militares norte-americanas bombardearam três instalações de enriquecimento de urânio do país, no sábado (21/6).

Em resposta ao presidente dos EUA, Khamenei criticou as falas de Trump, chamando-as de “ridículas”:

“Ele ameaça e, com uma declaração ridícula e inaceitável, pede explicitamente à nação iraniana que venha e se renda a mim. Quando uma pessoa observa essas coisas, fica verdadeiramente surpresa. (…) Dizer à nação iraniana para se render não é uma atitude sensata. Pessoas inteligentes que conhecem o Irã, conhecem a nação iraniana, conhecem a história do Irã, jamais diriam tal coisa. Render-se a quê? A nação iraniana não é de se render”, enfatizou Khamenei.

Escala da tensão no Oriente Médio

  • Tropas dos Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares no Irã no sábado (21/6). A ação norte-americana foi parabenizada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por uma decisão “ousada”.
  • Um dos locais bombardeados é a usina de Fordow, com capacidade para operar 3 mil centrífugas para enriquecimento de urânio, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
  • Ao longo dos últimos anos, Netanyahu tentou apoio dos Estados Unidos para tentar pôr fim ao programa nuclear do Irã. Segundo ele, a medida seria para evitar que o país persa fabricasse uma bomba atômica.
  • Depois da ação norte-americana, aliados do Irã, como os Houthis, no Iêmen, ameaçam atacar navios dos EUA no Mar Vermelho caso a potência persista na guerra.

Ameaça de “danos irreparáveis”

O aiatolá do Irã indicou ainda que a ação militar dos Estados Unidos pode trazer “danos irreparáveis” aos próprios norte-americanos. “O que eles sofrerão nesse sentido é muito maior do que o que o Irã pode sofrer. O dano que os Estados Unidos sofrerão se entrarem militarmente neste campo será, sem dúvida, irreparável.”

Em complemento ao pronunciamento, o perfil do líder iraniano no X também fez uma publicação direcionada a Israel, em tom ameaçador: “O inimigo sionista cometeu um grande erro, um grande crime; deve ser punido e está sendo punido; está sendo punido neste exato momento”.

O texto está acompanhando pela imagem de uma caveira sendo bombardeada, com referência à bandeira de Israel. Confira:

Foto colorida do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei - Metrópoles
Publicação do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei

 

EUA ameaçam novos ataques

No sábado, depois de atacar o Irã, Donald Trump realizou um pronunciamento na Casa Branca, onde afirmou que caso o Irã não siga o caminho da paz, os militares norte-americanos poderão realizar novas ofensivas.

“O Irã, o tirano do Oriente Médio, precisa agora fazer a paz. Se não o fizer, os ataques futuros serão muito maiores e muito mais fáceis”, disse Trump. “Isso não pode continuar. Ou haverá paz, ou haverá uma tragédia para o Irã, muito maior do que a que testemunhamos nos últimos oito dias. Lembrem-se de que ainda há muitos alvos”, acrescentou.

A Convenção de Genebra veda ataques a usinas nucleares, visto o alto risco de perdas civis, em resultado a ações radioativas.

Não é de hoje que o primeiro-ministro de Israel pressiona os Estados Unidos para tentar frear a produção nuclear do Irã. Em 2015, Benjamin Netanyahu se dirigiu ao Congresso norte-americano para interferir nas negociações entre o então presidente Barack Obama e o Irã. Segundo ele, o programa nuclear iraniano seria capaz de construir uma infraestrutura capaz de fabricar uma bomba atômica.

“Um Irã mais perigoso, um Oriente Médio cheio de bombas atômicas e uma contagem regressiva para um pesadelo nuclear em potencial”, defendeu Netanyahu na época.

Em 13 de junho deste ano, Israel iniciou novos ataques contra o Irã, só que dessa vez com mísseis. A ofensiva de Netanyahu contra o território iraniano tinha como justificativa pôr fim ao programa nuclear do Irã, que, de acordo com Israel, estaria próximo da fabricação de uma bomba nuclear. O Irã, por outro lado, nega que o programa é utilizado para fins militares.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?