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Minas Gerais

Vazamentos em série expõem perda de pessoal na Copasa, diz sindicato

Entidade afirma que quadro próprio caiu de 12,5 mil para 9,5 mil desde 2019 e relaciona redução, terceirização e problemas recentes

09/09/2026 02:00
Redes sociais/ Reprodução
Vazamentos e problemas de abastecimento têm se repetido em Belo Horizonte e na Região Metropolitana nas últimas semanas

Belo Horizonte – Uma sequência de rompimentos de tubulações, grandes vazamentos e interrupções no abastecimento atingiu Belo Horizonte e a Região Metropolitana nas últimas três semanas. Em meio às ocorrências, o sindicato dos trabalhadores da Copasa afirma que a companhia perdeu cerca de 3 mil empregados próprios desde 2019 e relaciona a redução do quadro e o avanço da terceirização à maior vulnerabilidade dos serviços.

Nesta terça-feira (8/9), um novo vazamento foi registrado em Contagem, na Grande BH. Desta vez, a água atingiu a BR-040, na altura da Ceasa, e chegou a alcançar veículos que passavam pela rodovia.

Um dia antes, outro vazamento de grandes proporções abriu uma cratera e provocou uma enxurrada no Barreiro, na capital. O episódio ocorreu menos de uma semana depois de outro vazamento na região, que derrubou parte de um muro.

Há pelo menos 15 dias os problemas de destaque envolvendo a Copasa se intensificaram. Em 19 de agosto, o rompimento de uma adutora da Copasa no bairro Nova Granada, na Região Oeste, provocou um vazamento de grandes proporções, alagou a rua e causou danos a um imóvel, que precisou ser interditado pela Defesa Civil.

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No dia seguinte, o prefeito de BH, Álvaro Damião, cobrou uma solução.  Segundo ele, moradores da Região Oeste já enfrentavam problemas de abastecimento havia pelo menos 12 dias. “Eu entendo as dificuldades da Copasa, mas nós não podemos ficar entendendo para o resto da vida”, afirmou naquela ocasião.

Redução do quadro próprio de trabalhadores

Para o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG), a repetição de rompimentos de adutoras e vazamentos de grandes proporções merece atenção e é motivo de preocupação.

“Para nós, isso precisa ser analisado em conjunto com as mudanças que vêm ocorrendo na estrutura da Copasa, especialmente a redução do quadro próprio de trabalhadores, a perda de profissionais experientes e qualificados e a crescente opção pela terceirização de atividades que historicamente eram realizadas por empregados da própria companhia”, afirmou Milton Costa, presidente do Sindágua-MG.

Segundo ele, esse processo ocorre desde 2019. Naquele ano, de acordo com o sindicato, a Copasa tinha cerca de 12,5 mil trabalhadores. Atualmente, seriam aproximadamente 9,5 mil. “Essa perda significativa de mão de obra qualificada, com a saída de trabalhadores experientes sem a devida reposição, torna esse tipo de atividade mais precário”, disse.

Costa afirma que a situação se agravou recentemente com a transferência de profissionais qualificados das atividades de campo para estações de tratamento de água e esgoto. Segundo ele, parte do trabalho que antes era feito diretamente por funcionários da Copasa passou a ser terceirizado.

“O sindicato entende que essa política produz um efeito preocupante. A empresa vai perdendo gradativamente sua capacidade de executar, acompanhar, fiscalizar e planejar atividades essenciais. Com isso, existe uma relação estrutural indireta entre esse cenário e o processo de privatização”, afirmou.

Para o sindicato, o processo de privatização também se reflete na redução do quadro próprio e no aumento da terceirização.

“Quando se reduz o quadro próprio, perde-se mão de obra qualificada. Quando se perde mão de obra qualificada, perde-se conhecimento acumulado. Quando as atividades operacionais são terceirizadas, reduz-se a capacidade de controle direto sobre a execução e, consequentemente, aumenta a vulnerabilidade da operação e dos serviços. É justamente essa sequência que preocupa o sindicato”, disse.

Privatização

A Copasa foi privatizada em junho deste ano, em uma operação realizada na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, que movimentou R$ 8,38 bilhões. O Estado vendeu 45% das ações da companhia: 30% foram adquiridos pelo Grupo Equatorial, que se tornou o principal acionista, e os outros 15% ficaram com investidores. O Governo de Minas manteve 5% das ações.

A reportagem entrou em contato com a Copasa e aguarda um posicionamento.

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