UFMG pede desculpas à sociedade brasileira. Entenda

Universidade Federal de MG reconhece ter adquirido cadáveres de pacientes do Hospital Colônia para aulas de anatomia e assume compromisso

atualizado

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1 de 1 UFMG - Foto: UFMG/Reprodução

Belo Horizonte – A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou na quinta-feira (9/04), no site oficial do curso de Medicina, uma declaração pública pedindo desculpas à sociedade brasileira pelo uso, durante o século XX, de cadáveres de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena em atividades de ensino da Faculdade de Medicina e do Instituto de Ciências Biológicas.

O documento, assinado pela então reitora Sandra Regina Goulart Almeida, em 18 de março de 2026, reconhece que a instituição integrou uma das páginas mais sombrias da história mineira: o chamado “Holocausto Brasileiro”.

Mais de 60 mil pessoas morreram no Hospital Colônia de Barbacena em condições desumanas, comparadas a campos de concentração. Muitos corpos foram comercializados para faculdades de medicina. Segundo o livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, 1.853 cadáveres foram vendidos entre 1969 e 1981 para 17 instituições de ensino, inclusive a UFMG.

Em trecho destacado da nota, a UFMG afirma:

“Em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a Universidade Federal de Minas Gerais pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática que aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena.”

A universidade lamenta que práticas incompatíveis com os direitos humanos tenham sido adotadas e reconhece que a ciência não esteve isenta de legitimar violações. Outro ponto importante da declaração diz: “A Universidade reconhece que a compra de corpos e seu uso em atividades de ensino violaram a memória e a dignidade de pessoas que viveram e morreram em condições desumanas nos manicômios de Barbacena.”

Hospital psiquiátrico Colônia Barbacena-MG
Em 1979, o psiquiatra italiano, Franco Basaglia, visitou o Hospital Colônia de Barbacena e o comparou aos campos de concentração nazistas de Adolf Hitler.

Como medida de reparação simbólica, a UFMG se compromete a criar espaços de memória na Faculdade de Medicina em parceria com grupos da luta antimanicomial, restaurar o livro histórico de registro de cadáveres e incluir o tema nas disciplinas de anatomia.

A nota também ressalta avanços atuais da instituição: “Recordá-la é também um modo de enfrentar a banalização da violência historicamente dirigida às pessoas consideradas loucas.”

A UFMG reafirma seu compromisso com os direitos humanos e destaca iniciativas como a Semana de Saúde Mental (realizada desde 2013) e o programa “Vida após a vida”, que utiliza doação voluntária e consentida de corpos para o ensino de anatomia.

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