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Minas Gerais

Suspeita de matar casal em BH diz que teve "surto" e dopou as vítimas.

Em depoimento, diarista afirmou que não pretendia roubar o casal, mas alegou que "surtou" e usou remédio de uso próprio para dopar os dois

02/07/2026 08:57, atualizado 02/07/2026 09:34
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Belo Horizonte — A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, presa sob suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, afirmou em depoimento à Polícia Civil que dopou o casal antes do crime e alegou ter sofrido um “surto” psicótico.

De acordo com o delegado Gustavo Barletta, responsável pelo caso, a diarista dopou o casal com um sonífero que ela mesmo usava. A dose dada aos dois, contudo, foi de quatro comprimidos para cada uma das vítimas. Eles teriam ficado desacordados após tomar os medicamentos.

“Ela alegou que, durante o almoço, preparou um suco natural. Nesse momento, viu uma oportunidade, foi até a bolsa, pegou quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado no tratamento de depressão e de transtornos psiquiátricos mais graves, e os colocou na bebida“, disse.

Segundo os investigadores, a suspeita também disse que foi ao apartamento sem a intenção de cometer o roubo, mas disse ter sido “atraída” pelos objetos de valor na casa. Ela ainda afirmou que o carro que a buscou após deixar o prédio era de um motorista de aplicativo. A polícia, no entanto, afirma que as investigações continuam.

Prisão

Imagens mostram o momento em que a diarista Paola chega ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), em Belo Horizonte, no fim da madrugada desta quinta-feira (2/7). Ela foi presa poucas horas antes, em um hotel de Itabira, na Região Central do estado, após passar cerca de um dia foragida.

A mulher é apontada pela Polícia Civil como a principal suspeita do assassinato à facadas do casal. Eles foram encontrados mortos na tarde de terça-feira (30/6), dentro do apartamento de luxo onde moravam, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul.

Ela estava acompanhada do filho, de 6 anos quando foi localizada. Segundo a polícia, a prisão ocorreu após um trabalho de inteligência que rastreou o paradeiro da suspeita.

Crime brutal

De acordo com a investigação, Paola trabalhou pela primeira vez na residência do casal na segunda-feira (29/6), após ter sido indicada por um parente próximo das vítimas.

Conforme a Polícia Civil, não há qualquer indício de participação da pessoa que fez a indicação. Ainda segundo os investigadores, imagens do circuito interno mostram que a diarista entrou no prédio por volta das 7h30 carregando apenas uma bolsa.

Cerca de oito horas depois, deixou o edifício usando roupas diferentes das que vestia ao entrar e carregando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pela família como sendo de Maria Clotilde.

A perícia aponta que Cláudio foi atingido por 17 facadas, enquanto Maria Clotilde sofreu sete golpes. Para a Polícia Civil, a violência empregada reforça a hipótese de latrocínio. “A senhora tinha sete facadas no corpo e o homem tinha 17 facadas. Isso por si só já denota o quão intencionada essa autora estava em ceifar a vida dos dois para poder praticar a subtração”, afirmou o delegado Felipe Freitas.

Os investigadores acreditam que o casal não teve chance de reagir. A hipótese é que as vítimas estivessem dormindo quando os ataques começaram.

Objetos furtados e fuga

Após o crime, segundo a investigação, joias, relógios, celulares e outros objetos foram levados do apartamento. Parte desses bens foi recuperada durante diligências realizadas na quarta-feira (1º/7).

Entre os materiais encontrados estão roupas com manchas de sangue, incluindo uma blusa branca usada pela diarista ao chegar ao apartamento, além de uma bolsa, uma caixa de relógios e outros objetos pertencentes às vítimas.

Os celulares do casal também foram localizados em um lote vago em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Civil, os aparelhos estavam embrulhados em papel-alumínio, numa tentativa de dificultar o rastreamento. A investigação também identificou que parte das joias e dos relógios foi vendida pouco depois do crime na região central da capital.

Polícia apura participação de comparsas

Apesar da prisão da principal suspeita, a Polícia Civil afirma que o caso ainda está longe de ser encerrado.

Um dos principais pontos investigados é a possível participação de outras pessoas. Imagens de câmeras de segurança mostram um carro de alto padrão aguardando nas proximidades do local onde objetos ligados ao crime foram descartados. Para os investigadores, há indícios de que alguém possa ter auxiliado a diarista na fuga, no transporte dos bens furtados ou na ocultação de provas.

Outro aspecto apurado é a situação financeira de Paola. Segundo a Polícia Civil, familiares relataram que ela acumulava dívidas e que parentes chegaram a reunir cerca de R$ 40 mil para quitar débitos com agiotas. A polícia também informou que familiares descreveram a mulher como emocionalmente instável e com histórico de depressão.

s investigadores, porém, ressaltam que essas informações não estabelecem relação direta com o crime e seguem apurando a motivação e a dinâmica completa dos assassinatos.

A defesa de Paola afirmou que manifesta “profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas” e que apresentará suas razões “no momento processual oportuno”, com base nas provas produzidas. O advogado também destacou que eventual responsabilização deve decorrer da instrução processual, “e não de julgamentos antecipados”.