Substituto de Zema insiste em escolas cívico-militares em MG
Simões enviou à ALMG um projeto para instituir o modelo em escolas estaduais; iniciativa foi interrompida ateriormente pela Justiça

Belo Horizonte — O governador Mateus Simões (PSD), substituto de Romeu Zema (Novo), enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto de lei para instituir o modelo de escolas cívico-militares na rede estadual.
A proposta tenta dar base legal à iniciativa lançada em 2023 e suspensa após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e decisões do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Pelo texto, escolas dos ensinos fundamental, médio e profissionalizante poderão aderir ao modelo, desde que haja aprovação da comunidade escolar. A gestão seguirá sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação (SEE), com participação de instituições militares em caráter colaborativo.
Na justificativa enviada aos deputados, Simões afirma que a proposta prevê uma “cooperação estratégica” para melhorar a gestão, a convivência e o ambiente escolar, sem interferir na autonomia pedagógica das unidades.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO governo pretende utilizar militares da reserva nas escolas participantes. Eles não serão considerados profissionais da educação e não poderão ser pagos com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). A seleção deve priorizar candidatos com perfil para atuação com jovens e mediação de conflitos.
A escolha das escolas levará em conta critérios como vulnerabilidade social, registros de indisciplina, desempenho em avaliações educacionais e índices de evasão.
Impasse na Justiça
O modelo está suspenso em Minas após decisões do TCE-MG, posteriormente respaldadas pelo TJMG. Em fevereiro, o desembargador Pedro Carlos Bitencourt Marcondes, da 19ª Câmara Cível do tribunal mineiro, restabeleceu a paralisação do programa para 2026.
O TCE aponta ausência de lei formal para instituir o modelo e possíveis irregularidades orçamentárias. Já decisões anteriores da Justiça chegaram a suspender a intervenção da Corte de Contas, sob o entendimento de que o órgão não pode interferir no mérito de políticas públicas.



