Maníaco de Contagem: serial killer segue preso em MG após 16 anos; relembre
O serial killer Marcos Antunes Trigueiro foi condenado a mais de 160 anos de prisão por estuprar e assassinar cinco mulheres na Grande BH

Belo Horizonte — Condenado a mais de 160 anos de prisão por uma série de crimes contra cinco mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Marcos Antunes Trigueiro, conhecido como o “Maníaco de Contagem”, continua preso 16 anos após ser detido. Atualmente, o serial killer cumpre pena em regime fechado no Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Grande BH.
A informação foi confirmada ao Metrópoles pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG), nesta sexta-feira (16/10). Segundo a pasta, Trigueiro está no sistema prisional mineiro desde 2010.
O criminoso foi condenado por cinco assassinatos cometidos entre 2009 e 2010, em Belo Horizonte e outros municípios da região metropolitana. As vítimas eram abordadas em veículos e mortas por estrangulamento. Os crimes mobilizaram a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que identificou semelhanças entre os casos.
Trigueiro foi preso em fevereiro de 2010. Os assassinatos foram julgados separadamente, e a última condenação ocorreu em fevereiro de 2018, na Comarca de Ibirité. Somadas, as penas aplicadas nos cinco julgamentos chegam a 161 anos, nove meses e dez dias de reclusão.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesBebê de 14 meses foi encontrado vivo sobre o corpo da mãe
Um dos casos mais chocantes foi o assassinato de Ana Carolina Menezes Assunção, de 27 anos. A comerciante foi encontrada morta em 17 de abril de 2009, dentro do próprio carro, no bairro João Pinheiro, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
Ana Carolina foi estrangulada com um cadarço de tênis. O filho dela, um bebê de apenas 14 meses, também estava no veículo e foi encontrado vivo, dormindo sobre o corpo da mãe. A criança não apresentava ferimentos.

Outro crime foi o de Maria Helena Lopes Aguilar, de 49 anos, encontrada morta em 17 de setembro de 2009, dentro do próprio carro, na Rua das Trombetas, no Conjunto Califórnia, também na Região Noroeste da capital. Ela foi estrangulada com o cinto de segurança do veículo.
A contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35 anos, foi encontrada morta em 12 de novembro de 2009, em uma estrada de terra que liga o bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, à BR-040.
O carro de Edna havia sido localizado no dia anterior, no bairro Industrial, em Contagem, com os pertences da vítima, exceto o telefone celular. Ela foi estrangulada com o colar que usava.
Natália Cristina de Almeida Paiva também foi vítima do serial killer. Ela desapareceu em janeiro de 2010, no bairro Lindeia, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte. Seu carro foi encontrado na Via Expressa, no bairro Camargos, e o corpo foi localizado posteriormente em Sarzedo, na Grande BH.
Como o serial killer agia e foi descoberto
As investigações da Polícia Civil identificaram semelhanças entre os assassinatos. As mulheres eram abordadas quando estavam em veículos, e os crimes envolviam violência sexual e estrangulamento.
Em fevereiro de 2010, a polícia já havia identificado um padrão de comportamento entre os casos. Exames periciais apontaram que o material genético encontrado em três vítimas assassinadas em 2009 pertencia ao mesmo homem.
Outro elemento importante para a investigação foi o rastreamento dos telefones celulares das vítimas, que eram levados como uma espécie de “troféu” pelo criminoso. A análise dos aparelhos ajudou os investigadores a chegar até Marcos Antunes Trigueiro.
Ele foi preso em 26 de fevereiro de 2010, no bairro Lindeia, em Belo Horizonte. Após a detenção, confessou os cinco assassinatos à Polícia Civil. Na época, o delegado Edson Moreira, um dos responsáveis pela investigação, informou que pelo menos três mulheres haviam conseguido escapar do criminoso.
“Frio e calculista” e “cruel e perverso”
O último julgamento de Trigueiro ocorreu em 7 de fevereiro de 2018, no Tribunal do Júri da Comarca de Ibirité. O processo tratava do assassinato de Adina Feitor Porto.
Segundo a denúncia, Adina estava dentro do próprio carro, no bairro Lindeia, em Belo Horizonte, quando foi abordada por Trigueiro. Ele simulou um assalto e a obrigou a dirigir até Sarzedo, onde a estuprou e a estrangulou.
Depois do crime, ocultou o corpo da vítima, assumiu a direção do veículo e seguiu até a Via Expressa, em Contagem, onde abandonou o carro e fugiu.
Durante o julgamento, Trigueiro afirmou que não tinha nada a declarar em sua defesa. A promotora de Justiça Manuela Lage Xavier o classificou como uma pessoa “fria, calculista, que planeja seus crimes”.
A defesa apresentou argumentos relacionados a possíveis problemas mentais do réu e contestou parte das acusações. Ao proferir a sentença, o juiz José Honório de Rezende considerou a personalidade do condenado “cruel e perversa” na definição da pena.
Trigueiro recebeu mais 30 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de estupro, homicídio, ocultação de cadáver e furto.
Condenações ultrapassam 160 anos de prisão
Antes do julgamento de 2018, Trigueiro já havia recebido outras quatro condenações pelos assassinatos de mulheres na Grande BH.
Segundo os registros divulgados pelo TJMG, as penas foram:
- Ana Carolina Menezes Assunção: 34 anos e 11 meses por estupro e homicídio.
- Maria Helena Lopes Aguilar: 28 anos por estupro e homicídio.
- Edna Cordeiro de Oliveira Freitas: 36 anos e nove meses por estupro, homicídio e furto de celular.
- Natália Cristina de Almeida Paiva: 31 anos, oito meses e dez dias por estupro, homicídio e furto.
- Adina Feitor Porto: 30 anos e cinco meses por estupro, homicídio, ocultação de cadáver e furto.
As condenações somam 161 anos, nove meses e dez dias de reclusão. O total corresponde às penas divulgadas pelo tribunal nos julgamentos e não necessariamente ao cálculo atualizado da execução penal.
Onde está o Maníaco de Contagem atualmente?
Na época do último julgamento, em 2018, Trigueiro estava preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Atualmente, conforme a Sejusp, ele se encontra no Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves.
A secretaria não informou quando ocorreu a transferência entre as unidades. Segundo a pasta, as movimentações de presos fazem parte da gestão do sistema prisional e detalhes não são divulgados por razões de segurança.
O serial killer permanece em regime fechado. A Sejusp esclareceu que questões relacionadas à progressão de regime, ao cumprimento das penas e à concessão de benefícios são de responsabilidade da Justiça.
O Metrópoles procurou o TJMG para obter informações atualizadas sobre a execução penal de Trigueiro, incluindo eventuais pedidos de progressão de regime, benefícios prisionais e previsão de cumprimento da pena. Até a última atualização desta reportagem, não havia retorno. O espaço permanece em aberto.
