Saiba quem é prefeito de Ouro Preto que já incomodou Simões e Zema
Prefeito de Ouro Preto, que teve embate com Simões nesta terça (21), usou o mesmo palco para alfinetar Zema em anos anteriores
atualizado
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Belo Horizonte — O embate público entre o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo (PV), e o governador Mateus Simões (PSD), durante a cerimônia da Medalha da Inconfidência nessa terça-feira (21/4), é mais um capítulo de uma relação marcada por atritos políticos. Antes de confrontar Simões, o prefeito já havia feito críticas reiteradas ao antecessor, Romeu Zema (Novo), usando o mesmo palco, na cidade histórica.
Nessa terça, durante o discurso oficial, Ângelo Oswaldo criticou o modelo de escolas cívico-militares defendido pelo governador mineiro. “Para que a aula seja adequadamente ministrada, necessário se impõe que a sua pedagogia se estenda pelas vastidões do Estado, fazendo da escola mineira um modelo para a formação cívica e cultural de cada geração. Uma escola cívico-militante, não militarista”, afirmou.
Em tom alterado, Simões rebateu o prefeito de Ouro Preto durante discurso no evento. Na ocasião, ele alegou falta de hospitalidade de Oswaldo. “Respeito, pelo menos a quem é recebido como visitante, é o mínimo que se espera em Minas Gerais de quem é dono da casa”, disse o governador. A atitude foi vista como “grosseira” pelo prefeito.
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“Simões foi extremamente grosseiro, deseducado e desrespeitoso. Ele agrediu não só a mim, mas aos militares presentes. Nós não agredimos os militares. Pelo contrário, eu disse que as Forças Militares Brasileiras são pacificadas e coesas. Eu critiquei as escolas civico-militares, projeto pessoal do governador para agradar a extrema direita”, rebateu Oswaldo em vídeo divulgado após o embate no evento.
Atritos com Zema
O episódio dessa terça não é isolado. Ângelo Oswaldo tem usado, ano após ano, a cerimônia de 21 de abril para se posicionar diante do governo estadual. Em 2025, ao lado de Zema, afirmou que a tradição mineira de fazer política está em declínio.
“Parece que a mineirice declina. O mineirismo se esgueira por entre silêncios e sombras. A sagacidade, a agudeza do talento, a arte da política, que tanto elevaram o mineiro perante as expectativas do Brasil, refugiaram-se nos livros de história”, falou à época.
No ano anterior, em 2024, disse que a celebração da Inconfidência funciona como uma “vacina” contra “os diferentes vírus do fascismo”. Já em 2023, cobrou do então governador a assinatura de um acordo de compensação para as vítimas do rompimento da barragem de Mariana, ocorrido em 2015.
“Não é mais possível sustentar a longa e assombrosa espera. É visível o drama. Nossas rodovias estão destruídas; os rios, poluídos; a população, empobrecida. Projetos sociais de relevância carecem dos recursos financeiros”, criticou.
Quem é Ângelo Oswaldo
Prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo está em mais um mandato à frente da cidade histórica e acumula longa trajetória na política e na área cultural. É escritor, jornalista, advogado, curador de arte e gestor público.
Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1971, também estudou no Instituto Francês de Imprensa, em Paris, entre 1973 e 1975. Iniciou a carreira como crítico literário e editor do Suplemento Literário de Minas Gerais.
Na vida pública, foi secretário de Turismo e Cultura de Ouro Preto entre 1977 e 1983 e já comandou o município em outros três mandatos (1993-1996, 2005-2008 e 2009-2012). No governo estadual, foi secretário de Cultura de Minas Gerais entre 1999 e 2002.
Também teve atuação no governo federal, como ministro interino da Cultura em dois períodos na década de 1980, durante a gestão de Celso Furtado, além de chefe de gabinete do Ministério da Cultura.
À frente da política de preservação, presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entre 1985 e 1987 e integrou conselhos ligados à área cultural e patrimonial em Minas e no país.
