
Rua mineira brilha com decoração que já é tradição há 9 Copas. Vídeo
Projeto criado em 1994 transformou rua de Sabará (MG) em ponto turístico e mobiliza comunidade para preservar legado no bairro Nações Unidas
Belo Horizonte – O clima de Copa do Mundo toma conta dos brasileiros que são apaixonados por futebol e pela Seleção Brasileira. Em Sabará, Região Metropolitana de BH, essa paixão deixa marcas no asfalto e nos muros. No bairro Nações Unidas, a Rua Dinamarca se transformou, ao longo de três décadas, em um dos símbolos mais conhecidos da tradição das pinturas de rua na cidade, atraindo visitantes, estudantes e admiradores de diversas regiões.
De acordo com Hércules Átila dos Santos, a história começou em 1994, quando o tio dele, o morador Demétrios Ubiratan dos Santos, decidiu decorar a rua para acompanhar o Mundial do Tetra. Na época, a via ainda era de calçamento e recebeu pinturas em muros e meios-fios nas cores verde e amarela. Quatro anos depois, com a chegada do asfalto, surgiu uma ideia que mudaria para sempre a identidade do local.
Como o bairro Nações Unidas possui ruas com nomes de países, Demétrios resolveu aproveitar o tema para pintar as bandeiras das nações no chão. A iniciativa ganhou destaque e rapidamente chamou a atenção da população. Segundo familiares, a Rua Dinamarca foi uma das primeiras da região a adotar esse modelo de decoração.
Espaço de aprendizado
Com o passar dos anos, a rua deixou de ser apenas um espaço de celebração esportiva e passou a funcionar também como ambiente de aprendizado. Escolas visitam o local com frequência, levando alunos para conhecer as bandeiras e aprender sobre os países representados, suas culturas e histórias.
A tradição se fortaleceu tanto que, segundo Hércules, nas últimas edições do projeto a Prefeitura de Sabará passou a manter a rua interditada durante o período das pinturas e dos eventos, facilitando a visitação de moradores, turistas e estudantes que vão ao local para fotografar e conhecer o trabalho.
O sobrinho de Demétrios conta que, mesmo após a morte do tio, em 2023, o projeto continuou vivo. Antes de partir, ainda no hospital antes de se submeter a uma cirurgia cardíaca, ele fez um pedido especial à família: “que a tradição não fosse interrompida”. Desde então, o sobrinho Hércules, a irmã Janaína Aparecida dos Santos e a filha de Demétrios, Beatriz dos Santos, e outros familiares assumiram a missão de manter o legado.
Participação da comunidade
O trabalho é realizado de forma coletiva. Os desenhos das bandeiras são feitos com giz, utilizando imagens de referência no celular, explica Hércules.
“Algumas exigem atenção especial aos detalhes, como as bandeiras do México, da Arábia Saudita e da Espanha. Depois, moradores de todas as idades participam da pintura, realizada com tinta para piso adquirida por meio de doações e contribuições da própria comunidade”, conta Hércules.
Copa maior deu mais trabalho
Cada bandeira mede aproximadamente 3 metros por 4,10 metros, ocupando grande parte da extensão da rua. Neste ano, a ampliação do número de seleções participantes da Copa, de 32 para 48 países, trouxe um novo desafio. Como os cerca de 200 metros da Rua Dinamarca já não comportavam todas as bandeiras, a vizinha Rua Israel foi incorporada ao projeto para receber a pintura de cinco bandeiras.
“Curiosamente, nem Dinamarca nem Israel estarão presentes na competição”, observa Hércules.
Colaboração da Torcida Brazuca
A iniciativa também ganhou reforço da Torcida Brazuca. Segundo o fundador do grupo, Rafael Gomes, conhecido como Fael Brazuca, a parceria começou após o falecimento de Demétrios. Procurada pela família, a Torcida passou a colaborar na preservação da tradição ao lado dos moradores.
A união entre comunidade e apoiadores ajudou a expandir o movimento para outros bairros de Sabará. Além do Nações Unidas, regiões como Vila Rica, Itacolomi, Valparaíso e Alto do Valparaíso também aderiram às pinturas, mobilizando dezenas de voluntários.
Apesar da expansão, os organizadores fazem questão de destacar que o protagonismo permanece com os moradores. “A Torcida Brazuca atua como apoio social e articuladora das ações, enquanto a execução dos trabalhos fica por conta das comunidades locais”, explica Fael.
Mais do que decoração, as pinturas se transformaram em um patrimônio afetivo da cidade. O que começou com alguns muros pintados e bandeirinhas penduradas tornou-se uma tradição que atravessa gerações, movimenta bairros inteiros e mantém viva a memória de um morador que fez da paixão pelo futebol uma tradição coletiva.
Além das pinturas, para os jogos do Brasil a programação inclui transmissão dos jogos em telão, apresentações musicais e atividades de confraternização, reforçando o espírito comunitário que tornou a Rua Dinamarca uma referência quando o assunto é Copa do Mundo em Sabará.
Primeira partida do Brasil
O primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo será no dia 13 de junho, às 19h, horário de Brasília, contra o Marrocos pelo Grupo C. Serão 12 grupos com 12 seleções cada, na primeira fase do campeonato.
Pela primeira vez a Copa do Mundo será realizada em três países: México, Canadá e Estados Unidos. Também, pela primeira vez participam do mundial 48 seleções de todos os continentes.
Ao todo serão 16 cidades, nos três países, que receberão os jogos. O primeiro jogo do Brasil será no Estádio MetLife, em New Jersey-Nova York/Estados Unidos.


















