Reconhecimento facial ajuda PM a prender 2,5 mil foragidos em MG desde 2025
Desde 2025, tecnologia auxiliou na localização de pessoas com mandados em aberto; 70% são crimes como tráfico, roubo, homicídio e estupro

Belo Horizonte – Um alerta emitido por um sistema de reconhecimento facial levou policiais militares até um homem que circulava pela Rua Curitiba, no Centro de Belo Horizonte. Procurado pela Justiça do Distrito Federal, ele tinha sete mandados de prisão em aberto e devia estar cumprindo mais de 40 anos de pena. O caso ocorreu em maio de 2026 e exemplifica o uso da tecnologia no patrulhamento ostensivo em Minas Gerais.
Desde o início de 2025, mais de 2,5 mil pessoas com mandados de prisão em aberto foram localizadas e presas com o auxílio do reconhecimento facial da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Cerca de 70% das prisões estão relacionadas a mandados por crimes como tráfico de drogas, roubo, furto, homicídio, estupro e ameaça. Outros 17% envolvem dívidas de pensão alimentícia.
Como funciona o reconhecimento facial
A tecnologia opera integrada ao sistema de videomonitoramento da PMMG. Câmeras instaladas em espaços públicos captam imagens em tempo real, que são encaminhadas a uma central e comparadas com informações disponíveis nos sistemas da corporação.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesQuando o sistema identifica uma possível correspondência com alguém que tenha mandado de prisão em aberto, um alerta é enviado às equipes em patrulhamento. Os policiais fazem a abordagem e verificam a identidade e a situação judicial da pessoa antes de tomar as providências cabíveis.
Para o gestor de Pesquisa e Projetos da Diretoria de Tecnologias e Sistemas da PMMG, major Renato Farina Barreto, a principal contribuição da ferramenta é a agilidade na transmissão das informações às equipes nas ruas.
“A tecnologia reduz o intervalo entre a identificação e a atuação policial. O alerta chega à equipe que está no patrulhamento, que faz a abordagem e verifica a situação. É uma ferramenta que complementa o trabalho que o policial já realiza diariamente nas ruas”, explica o policial.
Sistema pode ser usado em grandes eventos
Segundo o major, o reconhecimento facial começou como um projeto-piloto, com um número reduzido de câmeras. Ao longo dos 20 meses de desenvolvimento, a estrutura foi ampliada e, atualmente, passa por uma migração para novos servidores de hiper convergência da PMMG.
A mudança deve permitir expandir o reconhecimento facial e atender também a outros sistemas e soluções tecnológicas da corporação voltados à segurança pública.
Desenvolvida pela própria Polícia Militar, a ferramenta pode ser deslocada para diferentes regiões e utilizada em grandes eventos. O reconhecimento facial pode ser integrado a equipamentos como drones e o cão-robô adquirido recentemente pela corporação, sem a necessidade de instalar uma estrutura fixa em cada local.
De acordo com Barreto, o sistema também tem capacidade técnica para identificar pessoas mesmo quando parte do rosto está encoberta ou quando elas usam acessórios como óculos, chapéus e bonés.

PM quer integrar câmeras de empresas e serviços
A PMMG mantém aberto um chamamento público para ampliar a rede de videomonitoramento integrada à tecnologia. A proposta é conectar câmeras de estações de ônibus, rodoviárias, metrô e unidades de saúde, além de equipamentos de empresas privadas que monitoram áreas de circulação pública.
Entre os locais que podem participar estão shoppings, supermercados e drogarias. A iniciativa pretende ampliar a cooperação entre o poder público e a iniciativa privada e aumentar a cobertura do sistema de reconhecimento facial em Minas Gerais.
