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Minas Gerais

Professor da UFMG vira réu por injúria contra cadeirante em BH

Segundo denúncia, docente estacionou sobre uma rampa de acessibilidade e fez comentários ofensivos relacionados à deficiência da vítima

06/08/2026 10:36
Redes sociais/ Reprodução
Pedro Benedito Casagrande virou réu por injúria e discriminação contra uma pessoa com deficiência, em decisão divulgada pelo TJMG

Belo Horizonte — A Justiça de Minas Gerais tornou réu o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Pedro Benedito Casagrande pelos crimes de injúria e discriminação contra uma pessoa com deficiência. A informação foi divulgada nessa quarta-feira (6/8), e é do juiz Bernardo Campos Mitre, da 9ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte.

O caso aconteceu em 2 de fevereiro, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul da capital. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o professor estacionou o carro sobre a rampa de acessibilidade em frente ao restaurante da esposa da vítima, impedindo que o cadeirante, a companheira dele e uma cuidadora acessassem o local.

De acordo com o MPMG, após ser informado sobre a irregularidade, o professor retirou o veículo, mas passou a fazer comentários ofensivos e depreciativos relacionados à deficiência da vítima.

Ainda segundo a denúncia, cerca de duas horas depois, Pedro foi até o restaurante e voltou a fazer referências ofensivas à deficiência do homem diante de funcionários e testemunhas.

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Choro e medo

A denúncia aponta que as provas obtidas durante a investigação indicaram que as consequências do episódio ultrapassaram o momento das ofensas. O homem apresentou intenso sofrimento emocional após os fatos. “Ele chorou ao chegar em casa, tornou-se mais retraído e passou a demonstrar resistência para sair e frequentar o restaurante da família”, diz trecho.

Na denúncia do MPMG também há a informação de que testemunhas relataram alterações emocionais, tristeza, agitação e insegurança para circular em espaços públicos. A cuidadora dele também relatou que após o episódio observou agravamento da rigidez corporal.

Além do homem, a esposa também declarou que sentiu medo e se sentiu vulnerável, e que inclusive contratou um segurança particular para o restaurante, com receio de que o professor universitário voltasse ao local.

“Os dados colhidos na fase investigatória e que instruem a denúncia justificam a instauração da ação penal, havendo elementos suficientes, neste juízo de cognição sumária, para constatação da materialidade, bem como indícios de autoria”, afirmou o juiz Bernardo Campos Mitre.

A defesa do professor terá dez dias para apresentar resposta à acusação.

A reportagem tenta contato com a defesa. O espaço segue aberto caso queira se manifestar.