Possibilidade de “Super” El Niño assusta indústria do leite em Minas
Setor aposta em planejamento, orientação aos produtores e estoque para minimizar impactos de uma possível seca severa provocada pelo El Niño
atualizado
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Belo Horizonte – A possibilidade do fenômeno El Niño ocorrer este ano com intensidade muito forte, um “super El Niño”, acende um alerta para a cadeia produtiva do leite em Minas Gerais. A principal preocupação do setor está na agricultura, responsável por fornecer os insumos que alimentam os rebanhos.
Uma seca severa e prolongada, por exemplo, pode comprometer a produção de grãos como milho e soja, fundamentais para a alimentação animal. Com menor oferta desses produtos, os custos de produção tendem a subir, gerando reflexos diretos para os produtores rurais.
Para Guilherme Abrantes, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (Silemg), a consequência pode ser uma redução na produtividade das fazendas leiteiras, afetando também o abastecimento da indústria de laticínios.
“Se a gente tem uma seca muito forte, consequentemente pode existir uma menor produção de grãos, milho e soja principalmente. Isso gera alta no custo de produção do alimento para o animal e afeta diretamente o custo do produtor”, explica Guilherme.
Minas Gerais poderá enfrentar um início tardio da estação chuvosa 2026/2027 em razão da possível formação de um evento de El Niño de forte intensidade. O alerta é do meteorologista da Cemig Adelmo Antônio Correia, que acompanha a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos sobre o estado.
Segundo o especialista, ainda não existe um padrão definido sobre a influência do El Niño nas chuvas em Minas. Apesar disso, os modelos meteorológicos atuais indicam um cenário de intensidade forte, que pode resultar em atraso no retorno das chuvas.
El Niño
- Os principais impactos do fenômeno no Brasil costumam ser observados na distribuição das chuvas. Há precipitações acima da média na Região Sul, enquanto na Norte e no Nordestes os volumes registrados são abaixo do normal
- Em Minas, os efeitos mais significativos costumam ocorrer nas temperaturas, geralmente com temperaturas mais elevadas ao longo de praticamente todo o ano, com menos episódios de frio durante o inverno e condições mais quentes também na primavera e no verão
- Aumenta a possibilidade de ondas de calor
- Apesar do monitoramento constante, ainda não é possível prever qual será a intensidade do próximo episódio nem por quanto tempo ele permanecerá ativo
- Caso a configuração do fenômeno ocorra até junho e julho, os impactos mais perceptíveis deverão começar a ser sentidos apenas na primavera, entre o final de setembro e o início de outubro, segundo a meteorologista do InMet Anete Fernandes.
- Os setores que poderão ser afetados pelo fenômeno no Estado são o setor elétrico e a agricultura, sobretudo a lavoura de café e o setor de laticínios
Indústria trabalha para antecipar efeitos da seca
Diante desse cenário, a estratégia adotada pela indústria é acompanhar de perto toda a cadeia produtiva. A preocupação não se limita ao processamento do leite, mas envolve também o suporte aos produtores rurais para enfrentar possíveis períodos de escassez.
Uma das ações é orientar os pecuaristas sobre a importância de produzir e armazenar alimentos para os animais durante os períodos mais favoráveis, criando uma reserva capaz de garantir a alimentação do rebanho em momentos de seca.
Segundo Guilherme Abrantes a avaliação é que a preparação antecipada pode reduzir os impactos de uma eventual quebra na produção de leite.
Formação de estoques é aposta para garantir abastecimento
Além do trabalho junto aos produtores, as empresas também buscam criar mecanismos internos para enfrentar períodos de menor oferta de matéria-prima.
“Durante os períodos de maior produção, conhecidos como safra, a indústria procura formar estoques de produtos acabados, como queijos, leite UHT e outros derivados. O objetivo é garantir o abastecimento do mercado caso a estiagem se prolongue e reduza a disponibilidade de leite”, detalha Abrantes.
O presidente explica que essa estratégia tem limites, uma vez que os produtos possuem prazo de validade e não podem ser armazenados indefinidamente.
“Mesmo assim, a formação de estoques de segurança é considerada uma das principais ferramentas para reduzir os impactos de uma seca severa e manter o fornecimento aos consumidores”, explica o presidente do Silemg.
Para a indústria, a experiência acumulada ao longo dos anos reforça a importância do planejamento e da antecipação. A orientação é olhar para os possíveis cenários futuros e preparar toda a cadeia produtiva antes que os efeitos climáticos sejam sentidos no campo.











