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Minas Gerais

Por que Juiz de Fora virou foco de Lula e Flávio durante a campanha

Cidade mineira tem histórico favorável a Lula nas últimas eleições e carrega simbolismo para o bolsonarismo após facada de Bolsonaro

30/09/2026 02:00
Reprodução
Lula e Flávio Bolsonaro, em montagem -- Metrópoles

Belo Horizonte — Na reta final da campanha, Juiz de Fora, na Zona da Mata, ganhou espaço nas agendas dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O interesse na cidade se explica pelo peso eleitoral e por fatores distintos para cada campanha: o histórico favorável ao petista nas urnas na eleição passada e o simbolismo do município para o bolsonarismo.

Um dos maiores colégios eleitorais de Minas Gerais, Juiz de Fora tem 394,9 mil pessoas aptas a votar nas eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa uma queda de 5,6% em relação a 2022, quando a cidade chegou ao recorde de 418,2 mil eleitores.

Mesmo com a diminuição do eleitorado, a cidade segue estratégica na disputa presidencial, especialmente pelo comportamento das urnas na última eleição. Em 2022, entre os dez maiores colégios eleitorais mineiros, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) apenas em Juiz de Fora e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em Juiz de Fora, Lula recebeu 180.954 votos no segundo turno, o equivalente a 56,09% dos votos válidos. Bolsonaro teve 141.651 votos, ou 43,91%.  O petista volta ao município nesta quarta-feira (30/9), onde fará uma caminhada com apoiadores.

O resultado na Zona da Mata destoou de outros grandes centros do estado, onde Bolsonaro levou vantagem. O então presidente venceu, por exemplo, em Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim e Montes Claros.

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No estado como um todo, porém, a disputa foi muito mais apertada. Lula venceu em Minas Gerais com 50,2% dos votos válidos, contra 49,8% de Bolsonaro.

Além do histórico eleitoral favorável ao PT, Juiz de Fora é comandada pela prefeita Margarida Salomão (PT), aliada de Lula. A presença de uma administração petista também dá à campanha do presidente uma base política local em uma cidade que se mostrou importante para o partido entre os grandes centros mineiros.

A facada e o simbolismo para o bolsonarismo

Se para Lula Juiz de Fora representa um dos principais redutos petistas entre os grandes municípios de Minas, para Flávio Bolsonaro a cidade carrega um significado diferente.

Foi no Centro de Juiz de Fora que Jair Bolsonaro, pai de Flávio, sofreu o atentado a faca durante a campanha presidencial de 2018. Desde então, o episódio passou a ser frequentemente lembrado por Bolsonaro e seus aliados e fez com que a cidade ganhasse importância simbólica para a direita.

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Bolsonaro precisou passar por cirurgia após atentado
Adélio Bispo, acusado pelo crime
Bolsonaro foi alvo de uma facada durante a corrida eleitoral de 2018
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Bolsonaro foi alvo de uma facada durante a corrida eleitoral de 2018

Reprodução / Redes Sociais
Bolsonaro precisou passar por cirurgia após atentado
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Bolsonaro precisou passar por cirurgia após atentado

Reprodução
Adélio Bispo, acusado pelo crime
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Adélio Bispo, acusado pelo crime

Arte sobre foto Reprodução/Rafaela Felicciano/Metrópoles

Essa memória foi explorada por Flávio durante uma passagem por Juiz de Fora em 9 de setembro. O candidato promoveu uma motociata e foi ao local onde o pai sofreu o atentado, oito anos antes, onde fez um discurso sobre resistência.

“É sempre um momento de reflexão e eu pretendo agora fazer um trajeto junto com os nossos aliados aqui, com o povo que tá aqui ao nosso lado, para que eu possa completar o trajeto que meu pai não conseguiu completar”, afirmou.

Em 2022, o então presidente também escolheu Juiz de Fora para atos de campanha e retornou à cidade durante a disputa presidencial mesmo após o episódio da facada. No entanto, ele acabou perdendo para Lula no município.