Polícia desmonta esquema de receptação de celulares furtados em BH
Ação conjunta entre polícias de MG, PR e SC apura organização criminosa especializada em furtos em grandes eventos
atualizado
Compartilhar notícia

Belo Horizonte – Quatro integrantes de um grupo criminoso especializado em furto e roubo de celulares em grandes eventos foram presos nesta quarta-feira (22) na capital mineira (MG) e Cascavel (PR).
Os suspeitos eram investigados na Operação Linha Cruzada, liderada pela Polícia Civil do Paraná em conjunto com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), por meio do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) e da com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina. O principal receptador das mercadorias é mineiro.
A operação visou desarticular a organização criminosa especializada em furtos de celulares em grandes eventos, especialmente na região Sul do país. O principal alvo da operação é um homem de 31 anos, apontado como receptador e articulador do esquema, preso em Belo Horizonte.

Dinâmica do grupo e as prisões
As investigações iniciadas em 2025, apontaram que os aparelhos furtados eram enviados à capital mineira, onde o suspeito comprava dispositivos provenientes de diversos estados e os revendia, funcionando como peça central da rede criminosa.
A prisão foi efetuada por equipes do Depatri, que também cumpriram nove mandados de busca e apreensão nos bairros Buritis, Primeiro de Maio e Vila Pinho, em Belo Horizonte, além de Ribeirão das Neves, na região metropolitana, em endereços ligados ao investigado e outros suspeitos.
No Paraná, houve o cumprimento de três mandados de busca e apreensão e três de prisão. Em Santa Catarina, uma mulher foi presa, enquanto um homem já detido no sistema prisional em São Paulo teve mandado de prisão formalizado. Ambos são investigados por participação nos furtos, e suas identificações ajudaram a polícia a chegar ao núcleo de receptação.
De acordo com o delegado João Prata, chefe da Divisão Especializada Operacional do Depatri/PCMG, o suspeito preso em Belo Horizonte atuava como principal fomentador do esquema.
“Essas quadrilhas praticam furtos em grandes eventos em todo o Brasil e fazem a venda para esse receptador, o grande ‘180’ dessa associação criminosa”, afirmou, em referência ao artigo do Código Penal que trata da receptação.

Esquema interestdual
As apurações também revelaram a atuação interestadual do investigado. Segundo o delegado Gustavo Barletta, ele não recebia apenas aparelhos oriundos do Paraná. “Conseguimos identificar que ele compra celulares de furtadores de vários estados, inclusive de Minas Gerais e da própria capital”, explicou.
Além da compra e revenda dos aparelhos, a organização criminosa utilizava estratégias para acessar os dispositivos. Integrantes do grupo se passavam por policiais e entravam em contato com as vítimas, alegando que os celulares haviam sido recuperados, com o objetivo de obter senhas. “É uma fraude para conseguir acesso ao conteúdo dos aparelhos”, detalhou Barletta.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos, inclusive em Minas Gerais. Durante a operação, outros dois homens foram conduzidos à delegacia e prestaram depoimento. A participação deles ainda será confirmada ou descartada. O suspeito preso possui antecedentes por receptação e permanece à disposição da Justiça no sistema prisional.
