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Minas Gerais

Pai de Vorcaro nega à PF comando sobre "A Turma" e defesa reclama de prisão

Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, está preso há 110 dias em Minas Gerais

30/09/2026 17:51, atualizado 30/09/2026 17:55
Reprodução/Facebook
Henrique Vorcaro era controlador financeiro do Master

Belo Horizonte — Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (30/9) e negou ter comandado ou transmitido ordens à chamada “A Turma”, grupo investigado por ameaças, intimidações, invasões de sistemas e obtenção ilegal de informações sigilosas. A defesa sustenta que não foi apresentado nenhum comando, pedido ou ameaça que tenha partido dele.

Henrique Vorcaro falou com a PF após mais de 110 dias preso preventivamente. Os advogados classificaram a prisão como excessiva e desnecessária. Também criticaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) por não responder a requerimentos e reclamaram da demora do relator do caso, ministro André Mendonça, na análise dos pedidos apresentados.

“O excesso e a desnecessidade dessa prisão são evidentes”, afirmou a defesa.

Segundo a defesa, ele foi ouvido dentro do presídio, em Minas Gerais, e sem a presença de advogado. Os advogados afirmam que haviam solicitado ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para acompanhar a oitiva, mas que o pedido não foi analisado antes do depoimento.

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Os advogados reconhecem que Henrique manteve relações comerciais com três pessoas investigadas, mas alegam que os vínculos começaram em 2021, antes de virem à tona as suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro. Segundo a nota, os negócios estão registrados e documentados.

As suspeitas

A versão contrasta com as investigações da PF. De acordo com informações do inquérito, Henrique seria o principal operador financeiro da estrutura e o responsável por repassar aos integrantes do grupo ordens atribuídas ao filho. A investigação também o aponta como solicitante e beneficiário de serviços ilícitos.

Henrique foi preso em maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero. A detenção foi posteriormente mantida pela Segunda Turma do STF, por três votos a um. Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes defendeu que a prisão fosse substituída por medidas cautelares, mas ficou vencido.

A defesa também afirma que a irmã e a mãe de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, negaram ter sido ameaçadas pelo grupo. Os advogados não detalharam, na nota, quando nem em que circunstâncias essas manifestações foram prestadas. Mourão era apontado pela PF como uma das lideranças operacionais da “A Turma”.

Dono do Master também falou

A PF também ouviu nesta quarta novo depoimento de Daniel Vorcaro. Por vídeo, Vorcaro falou aos investigadores sobre questões apontadas em inquérito sobre suposta organização criminosa com quatro núcleos distintos, que seria chamada de “A Turma”. O grupo, de acordo com a PF, tinha papéis definidos sob a coordenação do banqueiro.

Por meio de nota, a defesa de Vorcaro ressaltou que o banqueiro, preso na Papudinha, afirmou que “jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja”.