À PF, Vorcaro diz que jamais se envolveu em ato de violência: "Desabafos"
Em depoimento prestado à PF, Vorcaro falou sobre recortes equivocados de falas e ressaltou que não há nenhuma vítima de supostos fatos

A Polícia Federal (PF) ouviu, nesta quarta-feira (30/9), novo depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Por vídeo, Vorcaro falou aos investigadores sobre questões apontadas em inquérito sobre suposta organização criminosa com quatro núcleos distintos, que seria chamada de “A Turma”. O grupo, de acordo com a PF, tinha papéis definidos sob a coordenação do banqueiro.
Por meio de nota, a defesa de Vorcaro ressaltou que o banqueiro, preso na Papudinha, afirmou que “jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja”.
Os advogados analisaram que, após 8 meses de investigações, “não há nenhuma vítima dos supostos fatos citados na portaria inaugural do Inquérito Policial. Com o efetivo acesso da Defesa ao inquérito que investiga a suposta existência de grupos como “A Turma” ou “Os Meninos”, ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro”, dizem os advogados de Vorcaro.
Durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em março deste ano, a PF apontou que Vorcaro era o articulador das ações financeiras e também responsável por elaborar estratégias para o funcionamento da organização, ao cometer “fraudes financeiras, corrupção, ocultação de patrimônio, intimidação e obstrução de justiça”. O banqueiro foi preso pela segunda vez nessa fase da operação.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraQuando determinou a prisão preventiva de Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça justificou “risco concreto de interferência nas investigações”.
Contato com Sicário
No depoimento, Vorcaro afirmou que conhecia apenas a pessoa de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, com quem tinha contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital.
Para a defesa, o depoimento de Vorcaro, nesta quarta-feira (30/9), “evidenciou, de forma contundente, que Daniel Vorcaro sempre buscou a adoção de medidas jurídicas e oficiais cabíveis em situações de contrariedade — como o registro de ocorrências policiais, notificações e a formalização de queixas —, sem jamais solicitar acesso indevido a sistemas restritos ou qualquer tipo de providência ilegal”.
Os advogados ainda ressaltaram que “eventuais desabafos” foram proferidos em momentos de indignação e jamais redundaram em consequências práticas ou em qualquer risco real a terceiros. Por isso, não existiu qualquer ato de violência.




