Padre mineiro entra em lista de boicote político e avalia ir à Justiça
Advogada de Gledson Antônio Domingos afirma que pároco da Igreja Matriz nunca fez manifestação política e estuda ações jurídicas

Belo Horizonte – Após comerciantes serem alvo de boicote por causa de supostos posicionamentos políticos, um padre de Passos, no Sul de Minas Gerais, também teve o nome incluído em uma lista que passou a circular pela cidade.
Trata-se de do padre Gledson Antônio Domingos, da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Passos, no Centro da cidade. Segundo a advogada Ana Martins, que representa o religioso, ele ficou indignado com a situação.
“O religioso jamais manifestou posicionamento político-partidário, seja em celebrações religiosas, reuniões paroquiais ou quaisquer outras atividades relacionadas à sua missão sacerdotal”, afirmou a advogada nesta quarta-feira (4/11).
Diante da situação, Ana Martins informou que está analisando o conteúdo da lista e as circunstâncias de sua divulgação para avaliar possíveis medidas judiciais e extrajudiciais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO padre Gledson tem sua trajetória marcada por quase duas décadas de dedicação ao sacerdócio. Nascido em 5 de janeiro de 1982 na cidade mineira de Conceição Aparecida, também no sul do estado, ele foi ordenado presbítero em dezembro de 2007.
A advogada conta que existe a preocupação com os possíveis desdobramentos dessa exposição.
“Quanto à participação dos fiéis nas celebrações, trata-se de uma igreja localizada na região central da cidade, com grande circulação de pessoas e um público bastante rotativo. São realizadas diversas missas, o que torna inviável, neste momento, medir uma possível queda na frequência ou estabelecer qualquer relação direta com a divulgação da lista”, explicou.
Apesar disso, a repercussão na cidade tem sido grande. “Além do padre Gledson, temos conhecimento de que outros dois padres de Passos, responsáveis por outras importantes paróquias da cidade, também tiveram seus nomes incluídos na lista”, contou.
Listas de boicotes
A disputa pela Presidência da República, mas a polarização política segue criando tensões em Minas Gerais mesmo após o resultado. Nos dias seguintes à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), listas de boicote a comércios e vídeos de empresários defendendo a demissão de trabalhadores de esquerda passaram a circular, alimentando ameaças nas redes, divergências entre parlamentares da direita e até em gestões municipais.
Em diferentes cidades mineiras, apoiadores da direita passaram a compartilhar listas de estabelecimentos comerciais e empresas identificados como apoiadores de Lula, incentivando consumidores a deixar de frequentar esses locais.
Conforme o Metrópoles mostrou na semana passada, o Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que tem recebido diversas denúncias de ameaças contra trabalhadores em razão de posicionamentos políticos.
Segundo a procuradora regional do Trabalho Luciana Marques Coutinho, o órgão vai atuar para identificar os responsáveis pelas publicações, as quais chamou de “graves irregularidades”, e apurar.
