MPF investiga envio de corpos do Hospital Colônia a faculdade de MG

A investigação mira o recebimento de 105 corpos de pacientes do antigo Hospital Colônia de Barbacena pela Faculdade de Ciências Médicas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/Prefeitura de Barbacena
antigo-hospital-colonia
1 de 1 antigo-hospital-colonia - Foto: Divulgação/Prefeitura de Barbacena

Belo Horizonte — O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a aquisição histórica de corpos de pacientes do antigo Hospital Colônia de Barbacena pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte. A portaria foi assinada na terça-feira (13/5) e publicada no Diário Oficial do órgão.

O documento afirma que a investigação busca “medidas de justiça transicional” relacionadas às violações de direitos humanos ocorridas no hospital psiquiátrico mineiro, conhecido nacionalmente pelo caso que ficou conhecido como “Holocausto Brasileiro”.

Segundo a portaria, a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais teria adquirido 105 corpos provenientes do Hospital Colônia. O texto cita que a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) encaminhou ao MPF registros históricos digitalizados das remessas, incluindo identificação dos pacientes e cidades de origem.

Na decisão, os procuradores afirmam que obras de referência histórica apontam que, entre as violações registradas no Hospital Colônia, estava a “comercialização de corpos de internos para instituições de ensino superior”.

Fundado em 1903, o Hospital Colônia de Barbacena foi o maior hospital psiquiátrico do Brasil. O MPF cita estimativas de que cerca de 60 mil pessoas morreram na instituição ao longo de sua existência.

Reparação de danos

O procedimento foi aberto após o desmembramento de outro inquérito civil que investiga medidas de reparação ligadas à política de internação compulsória em hospitais psiquiátricos de Minas Gerais.

A portaria também menciona que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já concordou em adotar medidas reparatórias relacionadas ao recebimento de corpos do Hospital Colônia. Entre elas estão pedido público de desculpas à sociedade, criação de espaços de memória, inclusão do tema em disciplinas do curso de medicina e restauração de livros históricos de registros de cadáveres.

Segundo o MPF, tentativas de construção de medidas consensuais com a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais “não foram frutíferas”, o que levou à instauração do novo inquérito civil.

No texto, os procuradores ainda citam a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Damião Ximenes Lopes, relacionado a violações em internações psiquiátricas.

O inquérito terá prazo inicial de um ano para conclusão.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?