Motoristas criticam novos pedágios em MG: "Quatro em menos de 200 km?"
Contrato da Via Liberdade prevê quatro pontos de cobrança eletrônica entre Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana e Rio Casca

Belo Horizonte – A previsão de cobrança de pedágio eletrônico no trecho que liga Belo Horizonte a Ouro Preto, Mariana e Rio Casca está gerando críticas por parte de moradores e motoristas nas redes sociais. A medida está prevista no contrato de concessão da Via Liberdade, assinado em janeiro deste ano, e prevê quatro pontos de cobrança nas rodovias BR-356, MG-262 e MG-329.
“O famoso assalto legalizado. Parabéns aos envolvidos”, escreveu um usuário. Outro classificou nas redes sociais a medida como “absurda”.
Também houve questionamentos sobre a quantidade de cobranças previstas no trecho. “Quatro pedágios em menos de 200 quilômetros? Inacreditável”, comentou uma moradora.
Outros relacionaram a cobrança aos impactos da mineração na região. “A mineração destrói a região e a vida dos moradores, enquanto enche o bolso das empresas. E a reparação é colocar pedágios e prejudicar ainda mais quem vive e se desloca ali diariamente”, escreveu uma usuária.
A concessionária Via Liberdade assumiu a administração de 190 quilômetros de rodovias entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte e Rio Casca, na Zona da Mata.
O contrato de concessão, assinado em janeiro de 2026, tem duração de 30 anos e prevê cerca de R$ 5 bilhões em investimentos em obras e manutenção.
A concessão faz parte das medidas previstas no Acordo de Reparação do Rio Doce, firmado após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015, tragédia que matou 19 pessoas e provocou impactos ambientais e sociais em Minas Gerais e no Espírito Santo.
O prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo (PV), afirmou que o município participou das discussões sobre a concessão e que as principais demandas apresentadas durante as audiências públicas foram atendidas.
“As principais reivindicações de Ouro Preto foram atendidas, no sentido de não serem taxados os trechos de interligação dos distritos com a sede do município”, afirmou o prefeito. São eles os trechos que ligam a cidade a Cachoeira do Campo, Amarantina, Engenheiro Corrêa, Miguel Burnier, Glaura, Santo Antônio do Leite, São Bartolomeu e Rodrigo Silva.
“Os pontos de cobrança eletrônica ficarão nas extremidades do município, permitindo a livre circulação interna dos moradores”, concluiu.
Os pontos de cobrança serão:
- BR-356: entre o entroncamento com a BR-040 e o km 66;
- BR-356: do km 66 até Mariana;
- MG-262: entre os entroncamentos com as rodovias MG-329 e MG-129;
- MG-329: entre o entroncamento com a BR-262 e a MG-262.
Valores previstos
De acordo com o contrato, a tarifa básica para carros de passeio e caminhonetes foi fixada em R$ 5,58 (valor de referência de julho de 2024, sujeito a reajustes anuais pelo IPCA).
Pelos valores previstos no contrato, motocicletas pagarão R$ 2,79 por passagem. Para automóveis e caminhonetes, a tarifa será de R$ 5,58. Já caminhões, ônibus e caminhões-trator de dois eixos terão cobrança de R$ 16,75.
No caso dos veículos de carga maiores, como caminhões com reboque de nove eixos, o valor chegará a R$ 75,38.
Quando a cobrança começa?
O contrato determina que a cobrança só poderá começar após o cumprimento de uma série de exigências no prazo mínimo de 12 meses a partir da entrada em vigor da concessão.
Antes da cobrança efetiva, também deverá ser realizada uma operação assistida de 30 dias, sem cobrança, para testes.
A data de início ainda não foi divulgada. A reportagem entrou em contato com a concessionária e aguarda retorno.


