Moradores relatam “restos” de égua na água em BH; Copasa se manifesta

Após a retirada da égua da adutora em BH, moradores relatam ter encontrado fragmentos parecidos com “pedaços de carne” na água da torneira

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 anonimizada-studio-3-2-7 - Foto: Imagens cedidas ao Metrópoles

Belo Horizonte — Há uma semana, uma égua caiu em uma adutora do Sistema Rio das Velhas e deixou 715 bairros e mais de 900 mil pessoas sem água em Belo Horizonte e região. Sete dias depois do incidente, moradores do Aglomerado da Serra, na região centro-sul, afirmam ter encontrado fragmentos que seriam do animal na água que chega às torneiras das casas.

O Metrópoles conversou com residentes da região que relataram medo, compra de água mineral e abastecimento ainda não normalizado. Por outro lado, a Copasa se manifestou sobre o caso e disse que o consumo da água é seguro.

A recepcionista Érica Teixeira Santos, de 35 anos, vive na rua Nossa Senhora de Fátima, e foi uma das que denunciou ter achado um material “parecido com pele” dentro do bico da torneira da cozinha na sexta-feira (8/5), após o abastecimento ser normalizado. Segundo ela, a casa ficou dois dias sem água.

“Quando abri a torneira, a água veio com pressão e soltou o bico do filtro. Tirei para encaixar de novo e vi algo parecido com um pedaço de pele. Peguei uma faca e puxei. Quando olhei melhor, parecia um pedaço de carne muito estranho. Fiquei horrorizada, porque a água que usei até para preparar comida passou por ali”, relatou.

Segundo Érica, funcionários da Copasa foram até a casa dela, mas apenas fizeram testes na água. “Disseram que a água estava ótima para consumo e nem levaram o que encontrei”, afirmou.

Ela também contou que a cunhada encontrou resíduos semelhantes no sábado (10/5). “Ela tem um bebê de apenas cinco meses. Estamos todos com muito receio e revoltados com o descaso da Copasa”, disse.

Outro caso

A cabeleireira Fernanda Alves, também de 35, contou que a mãe dela, de 61, que mora na mesma rua, encontrou um fragmento “grosso, meio branco” enquanto regava plantas, na última quarta-feira (7/5).

“Na terceira vez que ela pegou água, o fragmento caiu. A gente entrou em contato com a Copasa, mas ninguém veio buscar”, afirmou. Segundo Fernanda, o material foi encontrado na água usada diretamente da rede da rua, e o caso assustou a família.

“Minha mãe usa filtro aqui em casa, mas ficou com muito medo depois disso. Ela passou mal e começou a comprar água”, contou Fernanda, acrescentando que a idosa apresentou quadro de diarreia, assim como os filhos dela, de 2 e 8 anos.

Copasa foi até os endereços

As duas moradoras afirmam que a Copasa só foi até os imóveis após contato da imprensa com a companhia. Segundo elas,  fizeram testes na água e recolheram parte do material para análise.

“Eles falaram que a água estava própria para consumo, mas eu não acredito muito, porque outras pessoas continuam encontrando esses fragmentos”, disse Fernanda.

Érica também disse que precisou mudar a rotina da família. “Toda nossa rotina mudou. A gente não está mais ingerindo essa água e passou a comprar água mineral para beber. Tenho uma filha de 11 anos e me preocupo muito com a saúde dela”, relatou.

Sem água

Dono de um bar na Rua Bandoneon, um comerciante relatou que o imóvel está sem água há cerca de uma semana e afirmou que o problema começou após o caso da égua.

Segundo ele, moradores e comerciantes da região enfrentam desabastecimento, vazamentos e água barrenta desde então. “Tem lugares em que as válvulas estão entupidas. Eu acredito piamente que isso esteja ligado ao caso da égua, porque não é possível”, afirmou Vanderli Oliveira, de 58 anos, morador da comunidade.

O comerciante também disse que alguns estabelecimentos receberam água “literalmente com barro” após reparos feitos pela Copasa. “Tá difícil demais. Aqui no bar já vai fazer sete, oito dias sem água”, relatou.

O que diz a Copasa

A Copasa afirmou que a água no Aglomerado da Serra está própria para consumo, disse ter seguido protocolos de segurança após o incidente na adutora e informou que identificou uma ligação irregular em um dos imóveis vistoriados.

Veja a nota na íntegra:

”A Copasa informa que enviou uma equipe técnica ao Aglomerado da Serra para realizar vistorias e coletas de água em dois imóveis após relatos de irregularidades no abastecimento. As análises laboratoriais realizadas nos locais confirmaram que a água fornecida pela rede pública na região está rigorosamente dentro dos padrões de potabilidade e segurança exigidos pelo Ministério da Saúde.

Durante a vistoria, foi identificado que uma das unidades em questão apresentava uma ligação irregular de água, em desacordo com as normas técnicas e os padrões de segurança da companhia.

É importante ressaltar que, após o incidente na adutora do Sistema Rio das Velhas, a Copasa realizou protocolos rigorosos de segurança, incluindo o descarte integral da água presente na tubulação e uma desinfecção profunda com reforço de cloro. A companhia ressalta que casos pontuais estão sendo tratados individualmente pelas equipes operacionais para assegurar que a normalização do sistema ocorra com total segurança sanitária para todos os clientes.”

A reportagem também procurou a Copasa para saber sobre a normalização do abastecimento de água e aguarda posicionamento.

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