
Mineiro por trás de Brasil com S conta como hit da Copa mudou sua vida
Guilherme Maia, de Uberlândia, diz que o sucesso da música viral realizou o sonho de viver da produção musical e da carreira de DJ após anos

Belo Horizonte – O sucesso de “Brasil com S” mudou a vida do mineiro Guilherme Maia, de 31 anos, conhecido como M4IA. Depois de ultrapassar 1 bilhão de reproduções nas plataformas de streaming e transformar a música em trilha sonora da Copa do Mundo de 2026, o produtor afirma que finalmente realizou o sonho que nasceu nas festas do ensino médio: viver da música, produzir artistas e tocar como DJ.
Com mais de 15 anos de experiência na produção musical, o publicitário de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, conta que dividia a rotina entre a empresa de marketing digital, que atua com gestão de redes sociais, produção audiovisual e publicidade, e a produção de músicas.
“Eu me dividia para cuidar da minha empresa, para atender meus clientes e também para produzir música nos meus tempos vagos, para aprender novas ferramentas”, contou ele ao Metrópoles.
Agora, com o sucesso da música, que chegou até Mavie, filha de Neymar, Guilherme afirma que passou a conhecer pessoas do mercado e a firmar parcerias musicais com grandes artistas.
“Finalmente, vou poder viver do meu sonho, que é fazer música, produção musical e tocar em festas como DJ. A música me ajudou a realizar esse sonho de adolescente, de tocar nas festinhas do ensino médio, de levar um pouco de carinho e, como a música é uma linguagem universal, usar ela para conectar pessoas, conversar e conhecer gente”, disse.
Carreira como jogador
Nascido em 1994, o produtor cresceu apaixonado por futebol. “Eu sempre fui ligado em Copa do Mundo. A primeira Copa que lembro de ver foi a de 2002, quando a gente foi pentacampeão”, contou.
Torcedor do Flamengo e fã de Messi e Cristiano Ronaldo, Guilherme chegou a tentar a carreira de jogador profissional de futsal, atuando como goleiro até 2015.
“Parei porque a vida adulta chega e a gente precisa trabalhar. Mas o futebol sempre me rodeou. Eu sabia que fazer uma música no estilo que escolhi teria um impacto grande, porque é um estilo muito usado nos edits de futebol. Todo mundo que gosta de futebol acaba ouvindo esse tipo de música e identifica na hora.”
Segundo ele, o sucesso é resultado muita dedicação e da perpecaz de lançar no timing certo.
“O segredo desse sucesso é o tempo que tive antes de lançar essa música. Sou produtor musical há mais de 15 anos, editor de vídeo há mais de 17 e sempre fui muito antenado nas trends. Acredito que o timing foi aproveitar uma janela de oportunidade em que não existia nada parecido no Brasil. Fico feliz por não ter ficado preso ao perfeccionismo. Não existe sonho que resista a 10, 12 horas de trabalho por anos.”
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Música foi feita por IA
Guilherme explica como criou o viral com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artifícial (IA) e uma fórmula já conhecida, chamada “Call and Response“ (Chamada e Resposta).
“Esse efeito basicamente fala uma palavra e a multidão responde. Só que, para não parecer uma cópia 100% da música da França, eu utilizei um ritmo que é muito comum nas edits de futebol pelo mundo, no TikTok, no Instagram, que é o funk brasileiro”, contou em um vídeo publicado nas redes sociais.
O produtor conta que usou o Gemini para encaixar os nomes dos jogadores dentro da música. “Para fazer a letra, eu usei o Gemini e pedi em alguns ‘prompts’ [comandos] simples pra que ele usasse essa proposta de pergunta e resposta com a questão do nome dos jogadores. Eu sabia que pra ficar diferente da música da França, eu precisava de um elemento principal e, pra mim, o elemento principal foi que o ‘Neymar voltou’, então ‘o Rei voltou’ pra dar aquele ápice da música”, acrescentou em video que compartilhou sobre a produção da canção.
Nas redes sociais, o uso da IA na produção de obras tem gerado debates sobre o que pode ou não ser considerado arte Entusiasta da tecnologia, o produtor afirma que usa a IA desde 2021 e que acredita que ela não substitui o talento humano, mas funciona como ferramenta para acelerar processos.
“A IA sozinha não faz nada. Ela precisa de muita intervenção, muita intencionalidade. Brinco que é como um dado em que você está procurando o número seis. É preciso muita intervenção para conseguir tirar dela o que você realmente precisa. Ela veio para democratizar muita coisa, trazer acesso e facilitar a vida de quem sabe usar. Não deve sair do workflow de muitos artistas e produtores musicais, porque realmente auxilia nesses testes e democratiza.”
O sucesso de “Brasil com S” também abriu portas no mercado internacional. O DJ e produtor assinou contrato com a gravadora holandesa Spinnin’ Records, uma das maiores referências da música eletrônica, e já prepara novos lançamentos.
Entre eles está um álbum com 17 faixas inspiradas nas seleções que disputam a Copa do Mundo, como Argentina, Espanha e Inglaterra.


