Mineiro de Itajubá morre em combate na guerra da Ucrânia
Família realizou culto de despedida sem o corpo, que será enterrado na leste europeu; Itamaraty ainda não confirmou a morte do mineiro
atualizado
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Belo Horizonte – O mineiro Moysés Bezerra da Rocha Gonçalves, de 37 anos, morreu no dia 28 de maio enquanto combatia no front da guerra na Ucrânia. No último sábado (6/5), familiares e amigos realizaram um culto de despedida e homenagem em Itajubá, no Sul de Minas, com missa e manifestações de luto, mesmo sem a presença do corpo, que deve ser sepultado no leste europeu.
Moysés atuava diretamente na linha de frente do conflito. Segundo a família, ele perdeu a vida em combate em território ucraniano. Por causa da distância geográfica e do tempo transcorrido desde a morte, o traslado do corpo ao Brasil não será possível.
A cerimônia de sábado reuniu parentes e amigos para uma última homenagem. O momento foi marcado por emoção, recordações e orações, transformando a dor da despedida em celebração à vida de Moysés.

A irmã de Moysés, Mirian Gonçalves, em publicação nas redes sociais, compartilhou imagens dele durante a atuação na guerra e escreveu um emocionante texto de despedida, que se tornou o destaque da homenagem.
“Exatamente hoje faz 1 ano que vc veio nos ver, e foi os 30 dias mais aproveitados desde que éramos crianças… Jamais passou na nossa cabeça que era uma despedida, jamais pensei que seria a última vez de tudo”, escreveu ela.
Mirian segue relembrando os momentos vividos: o preparativo do casamento da “maninha”, as risadas, o “abraço de urso” e as últimas palavras trocadas: “eu te amo”.

“Hoje meu maninho vamos te homenagear e agradecer a Deus por esses 37 anos ao seu lado… Maninho eu te amarei até meu último respirar. Obrigada senhor por ter dividido ele com a gente”, destacou.
Ela conclui o texto afirmando: “Vou me sustentar no quão corajoso vc foi em toda sua vida… Até breve maninho.”
Atestado de óbito e resposta do Itamaraty
Até o momento, a família ainda aguarda a emissão do atestado de óbito e informações mais detalhadas sobre as circunstâncias da morte. Em resposta, o Itamaraty não confirmou a morte do mineiro e informou que, por meio das Embaixadas do Brasil em Moscou e em Kiev, permanece à disposição para prestar assistência consular aos nacionais brasileiros que dela necessitem.
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores destacou que a prestação de assistência em casos de brasileiros engajados em forças armadas de terceiros países apresenta especificidades, e, em observância à Lei de Acesso à Informação, não divulga informações pessoais nem detalhes sobre a assistência prestada.
O órgão também mencionou ter publicado alerta recente sobre a participação de combatentes brasileiros em conflitos armados no exterior.