
MG: criticada por Nikolas, Marília endurece tom sobre STF e cobra punições
Petista não falou em impeachment, mas defendeu punição de autoridades, código de conduta e afirmou que a Corte não pode ignorar a indignação

Belo Horizonte — Líder ou empatada tecnicamente com adversários de direita na disputa pelo Senado em Minas Gerais, Marília Campos (PT) endureceu o discurso sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (30/9), a candidata defendeu a punição de autoridades eventualmente envolvidas no escândalo do Banco Master e afirmou que a Corte não pode se “acovardar”.
A petista se posiciona em meio a uma disputa apertada pelo Senado em Minas e após ter sido fortemente criticada pelo deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG), que argumenta que sua eleição seria positiva para o ministro Alexandre de Moraes, alvo da direita.
Marília não mencionou diretamente o impeachment de ministros do Supremo, bandeira explorada por adversários de direita na reta final da eleição. A petista, porém, reconheceu a indignação da população, afirmou que “a lei deve ser para todos” e defendeu a criação de um código de conduta para os três Poderes.
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“Não pode ter impunidade. Todos terão de ser punidos diante desse grande esquema que aconteceu no nosso país. Pode ser ministro, pode ser deputado, qualquer liderança, porque a lei deve ser para todos e todas. Não dá para passar a mão na cabeça de ninguém”, declarou a candidata petista.
Marília também buscou separar as suspeitas envolvendo integrantes da Corte de ataques à existência e às atribuições do tribunal.
“Nós não podemos falar: ‘Olha, o STF não vale para nada’. Não. Nós temos que defender o Supremo. Mas não podemos permitir que o STF se acovarde diante de todo esse grande esquema, que tem indignado muito a população”, afirmou.
Marília também prometeu atuar no Senado contra privilégios e a favor de regras de conduta aplicáveis ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário.
“Em toda a minha trajetória política de mais de 40 anos, eu sempre fui contra quaisquer privilégios, sempre fui contra que a política fosse um lugar do enriquecimento pessoal. A política tem que ser o lugar para promover o bem comum”, disse.
Pressão da direita
A manifestação ocorre depois de Marília evitar uma resposta direta sobre como votaria em eventuais pedidos de impeachment contra ministros do STF. O tema ganhou peso na campanha porque cabe ao Senado processar e julgar pedidos de afastamento de integrantes da Corte.
Adversários de Marília têm usado a crise como uma das principais armas para tentar impedir que a candidata do PT conquiste uma das duas vagas em disputa. Carlos Viana (PSD), que tenta a reeleição, protocolou pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Domingos Sávio (PL) também defende o afastamento de Moraes e já apresentou um pedido contra o ministro. Marcelo Aro (PP) afirmou ser favorável à saída de integrantes do Supremo caso irregularidades sejam comprovadas. Quando questionada anteriormente pelo Metrópoles, Marília preferiu não se posicionar.
O deputado Nikolas Ferreira, um dos principais cabos eleitorais de Domingos Sávio e Marco Antônio Superman (Novo), também passou a mirar diretamente a petista. Em vídeo, chamou Marília de “Dilma 2.0” e associou uma eventual eleição da candidata à manutenção de Moraes no STF.
A reação de Marília ocorre em um momento de acirramento da disputa. Na pesquisa Quaest divulgada nessa terça-feira (29/9), Domingos Sávio apareceu com 14%, Marília tinha 13%, e Carlos Viana e Aécio Neves (PSDB), 12% cada. Os quatro estão tecnicamente empatados na corrida pelas duas vagas.
Ao cobrar punições sem aderir ao impeachment, Marília tenta responder à insatisfação com o Supremo sem romper com a defesa institucional da Corte — e, ao mesmo tempo, reduzir o espaço para que os adversários a apresentem como conivente com eventuais irregularidades.



