
Áurea cita BO de violência contra mulher por Aro, que rebate: "Mentirosa"
Candidato reagiu após Áurea mencionar boletim de ocorrência registrado por uma ex-namorada com relato de violência

Belo Horizonte — O candidato ao Senado por Minas Gerais Marcelo Aro (PP) chamou a também candidata Áurea Carolina (PSOL) de “mentirosa” e disse que ela faz uma política “nojenta”. Eles discutiram durante o debate do g1 nesta terça-feira (8/9). A fala ocorreu em resposta à candidata, que mencionou um boletim de ocorrência registrado contra Aro por uma ex-namorada, com relato de violência contra a mulher.
Já no fim do debate, Áurea falava sobre a importância da representação feminina no Senado e do enfrentamento à violência contra as mulheres, quando mencionou Marcelo Aro.
“Eu quero dizer também que, nesse tema de enfrentamento à violência contra as mulheres, é importante puxar a ficha, o histórico daqueles que vêm aqui falar grosso sobre o tema da segurança pública, mas que têm lá, há quase 20 anos, denúncia, por exemplo, de ex-namorada, de agressão doméstica”, afirmou.
Na sequência, a candidata citou relatos de agressões envolvendo socos e pontapés e questionou Aro sobre o episódio. “Eu queria perguntar para ele qual é a resposta que ele daria para ele, há quase 20 anos, como agressor de mulher. O que ele tem a dizer para homens que cometem violência contra as mulheres?”, perguntou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo responder, Aro acusou a adversária de mentir. “Você faz política com mentira. A sua política é nojenta, você é mentirosa. Eu não fui denunciado por nenhuma mulher e nunca fui condenado por absolutamente nada. Aliás, eu não respondo a nenhum processo judicial. Então, seja verdadeira”, disse.
Aro afirmou ainda que deixaria a política caso Áurea apresentasse uma condenação contra ele por agressão a uma mulher. “Se você mostrar uma condenação minha por agressão de mulher, eu renuncio à política, eu largo a política. Então, não seja mentirosa, não seja leviana”, afirmou.
Nas considerações finais, Áurea voltou ao assunto e afirmou que há, sim, um boletim de ocorrência registrado contra Aro por agressão a uma mulher.
“Talvez isso não tenha sido concluído como um processo e ele não tenha sido condenado, mas a ficha está suja, infelizmente. E nós lutamos para que esse tipo de situação nunca aconteça, nenhuma mulher sob violência”, declarou.
Aro rebateu afirmando que o boletim de ocorrência registra o relato apresentado à polícia e, por si só, não comprova que o fato narrado tenha ocorrido.
“Se eu sair daqui agora e for ali na delegacia e fizer um boletim de ocorrência dizendo que você me deu cinco tapas, eles vão anotar isso. Não quer dizer que você me deu cinco tapas. Boletim de ocorrência é o que você fala na delegacia. Depois tem investigação. No meu caso, não teve absolutamente nada e a pessoa que foi lá e denunciou depois se retratou. Então, seja honesta”, rebateu.
O registro de um boletim de ocorrência, isoladamente, não equivale a uma condenação criminal. Por outro lado, comunicar deliberadamente à autoridade um crime que a pessoa sabe não ter ocorrido pode, a depender das circunstâncias, configurar crime previsto na legislação brasileira.
Segundo reportagem da Repórter Brasil publicada em março deste ano, Marcelo Aro foi acusado de agressão por uma ex-namorada em um boletim de ocorrência registrado em Belo Horizonte, em outubro de 2007, quando ele tinha 20 anos e ela, 17.
Conforme o documento obtido pelo veículo, a jovem relatou à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ter sido vítima de “socos e pontapés” após o fim do relacionamento e afirmou que as agressões não deixaram marcas. O registro também menciona supostas ameaças contra ela e amigos. A reportagem teve acesso ainda a outros dois boletins de ocorrência em que Aro é citado: um de 2008, por desobediência, no qual consta que ele foi preso em flagrante após uma ocorrência de perturbação do sossego em Belo Horizonte, e outro de 2012, por ameaça, registrado em Nova Lima.
O Metrópoles entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e com a PCMG e aguarda um retorno.



