Justiça manda Copasa pagar R$ 300 milhões por danos em ruas de BH
Acordo judicial prevê pagamento em três parcelas; verba será usada em vias danificadas por intervenções da Copasa na capital mineira

Belo Horizonte — A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) terá que pagar R$ 300 milhões para a recuperação e manutenção de ruas de Belo Horizonte danificadas por intervenções da concessionária. O pagamento está previsto em acordo judicial firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a prefeitura da capital mineira.
O acordo foi assinado na terça-feira (1º/9) e decorre de uma condenação obtida pelo MPMG em ação civil pública. Segundo o órgão, a Justiça determinou que a Copasa reparasse vias em que realizou intervenções desde 2010 sem recompor adequadamente o pavimento, em desacordo com a legislação municipal.
A condenação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e tornou-se definitiva. O acordo foi firmado durante a fase de cumprimento da sentença.
A Copasa deverá pagar o valor em três parcelas de R$ 100 milhões. A primeira será repassada em até 30 dias após a homologação judicial do acordo. As outras duas vencem em 30 de abril de 2027 e 31 de janeiro de 2028, com correção anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO dinheiro deverá ser usado exclusivamente em obras de recuperação e manutenção de vias afetadas por intervenções da Copasa. A Prefeitura de Belo Horizonte terá que elaborar um cronograma para os serviços e prestar contas periodicamente ao Ministério Público.
R$ 300 milhões serão investimento adicional
Pelo acordo, os R$ 300 milhões pagos pela Copasa não poderão substituir os recursos que a prefeitura já destina à conservação das ruas. O município deverá manter os investimentos regulares e aplicar o montante como verba adicional.
Para fiscalizar a obrigação, será considerada a média dos gastos municipais com conservação de vias nos três anos anteriores à assinatura do acordo, com separação dos valores destinados a recapeamento e operações tapa-buracos.
“Os R$ 300 milhões não serão simplesmente incorporados ao orçamento municipal. A Prefeitura deverá manter os investimentos que já realizava e aplicar esse valor de forma adicional na recuperação das vias”, afirmou o promotor de Justiça Fábio Finotti.
Em caso de descumprimento das obrigações pela Prefeitura de BH, o acordo prevê medidas como o bloqueio de recursos destinados à publicidade institucional. Ficam preservadas comunicações de utilidade pública, como alertas da Defesa Civil, campanhas de saúde e informações sobre calendário escolar e benefícios sociais.
Novas obras da Copasa
O acordo também estabelece regras para futuras intervenções da Copasa nas ruas de Belo Horizonte. As obras deverão seguir a metodologia de recomposição de pavimentos prevista no Caderno de Encargos da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).
Durante cinco anos, uma auditoria técnica independente deverá avaliar anualmente pelo menos 20% das intervenções realizadas pela concessionária. Os relatórios serão encaminhados ao Ministério Público.



