IA faz megafauna e personagens “reviverem” em Lagoa Santa.
Episódios recriam animais pré-históricos, as pesquisas de Peter Lund e os desenhos de Peter Brandt
Belo Horizonte – Preguiças-gigantes, tigres-dentes-de-sabre e personagens que ajudaram a revelar o passado pré-histórico de Minas ganharam movimento e novas cores em uma série de vídeos produzida com inteligência artificial pela Prefeitura de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Três episódios já foram publicados. As produções recriam a megafauna que habitou a região, a chegada do naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund a Minas e o trabalho do pintor norueguês Peter Andreas Brandt, responsável por registrar em desenhos parte das pesquisas e descobertas feitas nas cavernas de Lagoa Santa.
A prefeitura ressalta que os vídeos não têm caráter documental. As imagens combinam referências históricas e científicas com recursos ficcionais e “licença poética” para tornar o conteúdo mais visual e aproximar a história local do público.
“A ideia é trazer o passado para o presente, de forma lúdica, criativa e com licença poética, em uma viagem de ida e volta no tempo”, afirma o prefeito Breno Salomão.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs vídeos podem ser vistos no perfil do Instagram @prefeituralagoasanta.
Idealização dos vídeos
Além do passado, os vídeos mostram dados atualizados e informações do município. A iniciativa pretende apresentar ações relacionadas ao desenvolvimento humano e à infraestrutura da cidade, de acordo com o prefeito Breno Salomão.
“Estimular o interesse pelas descobertas científicas na região de Lagoa Santa, divulgar o potencial turístico do município, mostrar as ações de desenvolvimento humano e da infraestrutura local”, afirma Breno.
A produção é realizada por uma equipe da Secretaria Municipal de Relações Institucionais e Comunicação, formada por profissionais de diferentes áreas, entre eles designer gráfico, técnico em produção audiovisual, jornalista, publicitário e profissional de marketing.
Ainda não existe uma quantidade definida de vídeos que serão produzidos. Segundo o prefeito de Lagoa Santa, Breno Salomão, a proposta é utilizar a tecnologia como uma ferramenta para tornar a história mais próxima e interessante para o público.

Tecnologia a serviço da memória
Para o prefeito, a inteligência artificial pode contribuir para preservar e apresentar a história de maneira mais visual e atrativa. O processo parte de pesquisas e referências históricas para reconstruir personagens, cenários e diferentes épocas que seriam difíceis de representar por outros meios.
Economia também é argumento
Além de ampliar as possibilidades de produção, a tecnologia também permite reduzir os custos. Conforme explica Salomão, a realização desse tipo de conteúdo por uma produtora de cinema, por exemplo, exigiria um orçamento muito maior.
Episódios liberados
- Primeiro episódio: traz imagens da preguiça-gigante, do tigre-dentes de sabre, Guerra dos Emboabas. Também constam imagens do bandeirante Felipe Rodrigues, do paleontólogo dinarquês Peter Wilhelm Lund, do pintor e ilustrador norueguês Peter Andreas Brandt, além de pinturas rupestres.
- Segundo episódio: mostra a chegada do Dr. Peter Lund a Minas Gerais e relembra suas descobertas
- Terceiro episódio: mostra o desenhista Peter Brandt que por meio de seus desenhos fez vários registros do trabalho de Peter Lund.
Já há outros episódios prontos para serem divulgados, mas sem uma data específica. E segundo os produtores, não há previsão de números de episódios.
Peter Wilhelm Lund
A história da cidade de Lagoa Santa passa pela trajetória do pesquisador naturalista dinamarquês Peter W. Lund, que a partir de 1835 revolucionou a ciência mundial. Ele explorou centenas de grutas de calcário na região, catalogou fósseis e revelou vestígios de uma megafauna extinta que habitava o continente americano há milhares de anos.
Os achados levaram Lund a propor que seres humanos teriam convivido com animais da megafauna em Lagoa Santa, hipótese que provocou debates científicos e ainda exige cautela.
Com os estudos do pesquisador, Lagoa Santa se tornou uma referência mundial para a paleontologia e a arqueologia.

Peter Brandt
O desenhista e pintor norueguês Peter Andreas Brandt mudou-se para o Brasil em 1834. Ele trabalhou com o pesquisador Peter Lund, retratando por meio de seus desenhos as pesquisas e descobertas de Lund.
O desenho abaixo, que retrata a casa de Lund, foi feito por Brandt. Lund explorava o território e fazia descobertas enquanto Brandt registrava tudo. Ele morreu em Lagoa Santa, em 1862.

Museu em Belo Horizonte tem exposição sobre Peter Lund
O Museu de Ciências Naturais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) exibe uma exposição permanente “Peter W. Lund: Memórias de um Naturalista”
O espaço é uma homenagem aos naturalista que fizeram pesquisas e estudos sobre o Brasil e em especial o dinamarquês Peter W. Lund, que fez grandes descobertas em Minas Gerais, no século XIX, inaugurando as ciências da paleontologia, arqueologia, espeleologia e ecologia no Brasil.
Na exposição é possível ver: a reconstituição do gabinete de estudos e de Lagoa Santa do Séc. XIX; réplicas e originais de fósseis, objetos pessoais e exemplares encontrados por Lund e doados pela Rainha da Dinamarca; além de Luzia, um dos mais antigos registros de humanos já encontrados nas Américas, datado de aproximadamente 11 mil anos. Veja fotos abaixo.













