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Minas Gerais

"Houve negligência", diz mãe de criança que morreu em escola de BH

Mariana Campos, de 5 anos, passaou mal e morreu na Escola Municipal (Emei) Professora Marta Nair Monteiro, em BH; mãe fala em negligência

21/10/2026 09:38, atualizado 21/10/2026 09:58
Redes sociais/ Reprodução
Criança de 5 anos passa mal e morre em escola de BH

Belo Horizonte — A mãe de Mariana Campos, de 5 anos, que morreu nessa segunda-feira (19/10) após passar mal na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Professora Marta Nair Monteiro, no bairro Santa Rita de Cássia, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, afirma que houve “negligência” e falta de assistência à filha na unidade de ensino. Segundo Rayanne de Souza Campos, de 37 anos, a menina estava sem acompanhamento de um profissional de apoio desde 2025.

“Ninguém da secretaria ligou para mim. Ela não tinha auxílio de apoio na escola, a não ser eu, que ia todos os dias cuidar dela”, desabafou Rayanne, que é gestora de recursos humanos. Mariana utilizava uma traqueostomia, abertura cirúrgica na traqueia que permite a passagem de ar. Apesar disso, segundo a mãe, a menina falava e se alimentava normalmente.

Em contrapartida, a Prefeitura de BH contestou a informação da mãe e afirmou que a criança tinha acompanhamento na escola. “Em razão do seu quadro e do grau de comprometimento funcional, ela recebia acompanhamento contínuo de um Profissional de Apoio ao Educando, bem como era acompanhada diariamente nos cuidados por sua genitora, tendo em vista o grau de vulnerabilidade”, disse em nota.

Versão da mãe é diferente

Ao lamentar a morte da filha, a mãe afirmou que “Mari era um doce e será lembrada por todos”. Segundo ela, apesar de a escola contar com funcionários capacitados para prestar os cuidados necessários, Mariana não tinha um profissional designado para acompanhá-la.

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“A diretora não autorizava que esse cuidado fosse feito. Fui ao Conselho Tutelar, à Secretaria de Educação, fiz várias reuniões na escola e nada era feito”, relatou.

Rayanne contou que precisava ir diariamente à escola para cuidar da filha. Na segunda-feira, dia da morte, ela esteve na unidade por volta das 13h e afirmou que a criança estava bem naquele momento.

“Na segunda, eu já tinha ido às 13h cuidar dela. Ela estava bem e, por volta das 15h, me ligaram dizendo que estava passando mal. Fui imediatamente para a escola, mas, quando cheguei, já tinham levado ela para o posto de saúde à espera do Samu. Ninguém da escola ou da Smed me ligou para dizer nada. Houve uma negligência da escola sobre os cuidados da Mariana”, afirmou.

A mãe também relatou que havia ingressado com uma ação judicial contra o governo de Minas para tentar antecipar uma cirurgia da filha de traqueoplastia, que aguardava pelo procedimento desde 2023.

“Eu entrei com um processo contra o estado para a cirurgia dela sair. Ela estava na fila desde 2023 e eles alegavam que não tinha vaga na Santa Casa”, disse.

O que diz a PBH

Em nota divulgada nessa terça-feira (20/10), a Secretaria Municipal de Educação (Smed) lamentou a morte da estudante e informou que a menina apresentava condições de saúde “restritas” e recebia acompanhamento contínuo.

A secretaria também informou que, assim que Mariana passou mal, foram adotados os procedimentos de emergência na tentativa de salvá-la.

“No momento em que a estudante apresentou mal-estar, a equipe pedagógica acionou o Samu e, diante da emergência, realizou o encaminhamento imediato da criança para o Centro de Saúde mais próximo”, afirmou a secretaria.

Segundo a Smed, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado por volta das 15h11, e a ambulância chegou 17 minutos depois, às 15h28, para dar continuidade ao atendimento. Apesar das tentativas de reanimação, a morte foi constatada por volta das 16h20.

A nota enviada pela Prefeitura de Belo Horizonte também afirma que a família está recebendo assistência.

O governo de Minas também foi procurado pelo Metrópoles para esclarecer a situação da cirurgia mencionada pela família. O espaço segue em aberto.